29/05/2010

Pra quê poesia?

Pra quê poesia?
Se na insonia e agonia
encharca-se de porcaria
como se um charco fosse a vida
onde viceja a flor contaminada
de uma vida que não dá pé
um aguapé.

Pra que poesia?
Se a realidade escancarada
é só pecado e mais nada
que de tão bela, só a poesia,
mascara a vida perdida
desgraçada.

Pra que poesia?
Se no caminho pro inferno
há um cicerone de terno
preparando trajes rotos
como brinde surpresa,
anunciado em reclames,
mas sem direito do consumidor.

Melhor que poesia
fajuta, carnuda, vazia
é a vida lavada e enxuta
pelo sacrifício do cordeiro
que mesmo no leito derradeiro
é capaz de nos Salvar.

Melhor que poesia
é alegria, franca, sem apostasia
que segue o verter da Palavra
não de mero idioma audível
mas da glória do Deus incorruptível.

Não se engane com a poesia
que faz o fracasso parecer bonito
que faz a desgraça provocar risos
Pois o terrível poeta
Só te reserva um drama infindo.
Mas Cristo no Calvário
poesia não pode descrever
mas só Ele muda o cenário,
eternamente,
para aquele que crê.