25/02/2010

Justiça e Perdão

"Perdoa, pois, a iniqüidade deste povo, segundo a grandeza da tua misericórdia e como também tens perdoado a este povo desde a terra do Egito até aqui. Tornou-lhe o Senhor: Segundo a tua palavra, eu lhe
perdoei." Números 14.19-20

É comum ouvirmos falar de perdão como algo incondicional. Penso que não é bem assim. O perdão é um ato de misericórdia e justiça ao mesmo tempo. Para receber misericórdia é necessário humilhar-se para pedi-la. Quem se reconhece como pecador e incapaz de pagar seus pecados recebe a misericórdia de Deus, pela satisfação de Sua Justiça em Cristo Jesus.

O perdão portanto não é unilateral, requer disposição de ambas as partes: o que se humilha e o doador de misericórdia. O que chamam de "perdão unilateral" é, na verdade, ato de amor.

Um pai pode ter atos de amor para com seu filho criminoso constantemente, mas isso não será perdão se não houver, por parte do filho meliante, o reconhecimento de seus erros, abandono da reincidência em pecados e mudança de vida.

O amor faz coisas que superam a justiça, por isso Deus enviou Jesus. Mesmo superando a justiça o amor não a anula, antes a aperfeiçoa de uma forma que só Deus é capaz de fazer.

O Povo de Israel revoltou-se e duvidou da promessa de Deus quando os espias voltaram de Canaã com notícias da terra e temeram mais os homens do que confiaram em Deus. O Senhor determinou puni-los, mas os perdoou pela palavra que Moisés lhe dirigiu representando o arrependimento do povo, na realidade do Antigo Testamento, como um sacerdote que intercede a Deus por todos, tornando seu quebrantamento
pessoal e de alguns remanescentes, algo atribuído a todo povo.

Hoje não há mais sacerdote humano que interceda a Deus por nós, cada um deve buscar a Deus para perdão por si. Somos responsáveis por nossos erros e acertos, independente de ter a Salvação ou estar sob domínio do pecado.

Alguém poderia dizer que Deus não perdoou verdadeiramente o povo, pois o puniu. Mas o perdão a que Deus se refere é para Salvação de suas almas e não para aquisição da Terra Prometida. Nós podemos ser
perdoados por Deus para a Salvação em Cristo, mas continuar responsáveis por nossos pecados nesse mundo, embora no céu não haja condenação. Nós somos responsáveis pelos nossos pecados e, sendo
verdadeiramente convertidos, devemos estar prontos a restituir nossos erros, da mesma maneira que Zaqueu se propôs perante Jesus.

Deus não nos perdoa para que nos tornemos inconseqüentes. Deus quer cristãos que façam a vontade Dele e não a do Diabo. Será que alguém faz a vontade do Diabo e se esconde sob uma capa impenetrável construída sob alegação de perdão inconseqüente? Para que Deus nos perdoasse para Salvação houve uma conseqüência: a morte de Jesus na cruz.

Quando pedimos perdão a alguém queremos apenas fugir da condenação como os fariseus a quem João Batista chamou de "raça de víboras"? Estamos prontos a sofrer prejuízo neste mundo, pois temos certeza do
cumprimento da promessa Salvadora de Deus que compensa qualquer perda ou castigo?

Que Deus nos oriente a buscar o Perdão de Deus e do próximo com a disposição verdadeiramente condizente com a uma vida convertida e temente a Deus.