07/02/2010

Casamento e Religião

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Ilustração de : Claire Cresswell - Autrália 

Um de nossos leitores enviou uma pergunta instigante, que pode ser lida mais ou menos assim, para ficar no contexto de nosso blog: É errado que evangélicos namorem com pessoas de outra religião?

Primeiro veremos o que é uma coisa errada, depois se casar com pessoas de outra religião está na definição de errado e, se não é errado, porque aconselha-se o casamento entre pessoas de mesma confissão.

Numa resposta bem dialética, por contraste de opostos, errado é o contrário do certo. A princípio, não é errado casar com uma pessoa não crente, a não ser que seja um casamento contrário ao padrão bíblico de família. Alguns alegam que o certo é relativo, que depende de cada um, mas para os cristãos não é assim. O que é certo, no concernente à vida humana em suas relações com o próximo e com Deus, deve estar de acordo com a Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada.

Nossa relação com o próximo, segundo a Bíblia, também prevê o jugo, ou carga, desigual. Cada um de nós carrega em sua vida coisas que fazem seu modo de ser, de ver a vida e de reagir às coisas, ou mesmo de opinar sobre elas opondo-se ou aderindo a determinada idéia. O jugo desigual citado em 2 Corintios 6.14 refere-se a todo tipo de relação humana, desde as relações de amizade, de trabalho, até o casamento. Um crente deverá manter reserva em suas relações de trabalho, pois é contrário à nossa fé e aos princípios cristãos de família sair com os colegas de trabalho para beber numa sexta-feira, mesmo que digam “você bebe só um refrigerante”, pois estará num lugar ao qual não pertence e que não lhe diz nada de bom e que levará a desentendimentos, pois o mundano vê o cristão buscando erros, para justificar a si mesmo.

Se numa simples relação de trabalho não pode haver jugo desigual, quanto mais no casamento! Se não há erro identificável claramente, entretanto pode ser observado um problema que envolve a Sabedoria. Provérbios 1.7 nos diz que “O temor do SENHOR é o princípio do conhecimento; os loucos desprezam a sabedoria e a instrução.” Sabedoria é um conhecimento prático que nos leva a viver melhor a vida. Podemos viver agindo corretamente mas com uma vida ruim por falta de Sabedoria.

Nada mais prático do que a vida conjugal. Ninguém tem um manual para o casamento perfeito, nem terá, pois cada casal é único mas a Sabedoria nos alerta que jugos desiguais aumentam a potencialidade dos problemas. Problemas no casamento não envolvem só o casal, mas também todos os parentes e filhos com cobranças e apelos. A experiência tem mostrado que poucos são os casos onde os conjuges vivem sem atritos quanto à religião, e quando ocorre um acordo mutuo de separar a religião do casamento, um deles está castrando-se em suas convicções religiosas, geralmente cristãos, para manter o vínculo afetivo com o outro. Não é raro ouvirmos que “meu marido (ou esposa) é ótimo(a) mas fico muito triste de não te-lo ao meu lado na igreja”. O cristão valoriza muitíssimo a família, e tem como sonho dizer como Josué “eu e minha casa serviremos ao Senhor”. Quando isto não acontece não há plena realização, pelo menos para o cristão, no casamento.

Entendemos portanto que casamento de cristãos com pessoas de confissões religiosas diferentes, ou mesmo contrárias à nossa fé pode ser uma questão de desprezar a Sabedoria bíblica. Se queremos construir vidas sólidas na Palavra de Deus devemos buscar relacionamentos sólidos nessa Palavra, sejam estes amizades, associações e principalmente o casamento.

Concluimos que nem tudo que pode ser considerado certo é sábio. E também alertamos que o Casamento deve ser construido com sabedoria e não com paixão, pois a paixão cega nosso entendimento mas a Palavra de Deus é Lâmpada para nossos pés e luz para o caminho (Salmo 119.105).