10/02/2010

Apologia do mal

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Não são assim os ímpios; mas são como a moinha que o vento espalha. Salmo 1.4

Outro dia vi algo contraditório. Num programa de auditório, profissionais de mídia fizeram juízo negativo quanto ao caráter de uma pessoa que participava de um desses reality show anti-família. Imediatamente foram sutilmente chamadas à atenção com a alegação de que não se pode fazer juízo de caráter baseado num reality show. Sob certo aspecto há um pouco de razão mas fica um paradoxo: se não podemos fazer juízo de caráter baseados num reality show, que dá dinheiro à mídia patrocinada, porque a mesma mídia faz juízo de caráter – ou divulga esse juízo de caráter - de alguns líderes evangélicos baseada em acusações que não são comprovadas nos tribunais de última instancia?

Atualmente ouvimos falar muito mal dos evangélicos de forma geral, devido a juízos de caráter temerários atribuídos a indivíduos de fé evangélica e que logo são atribuidos, de forma induzida por associação simplória, a todos os evangélicos. Porque nós podemos ser alvo de juízo de caráter pela mídia patrocinada, e os participantes de reality shows estão imunes a isso? Tais programas de TV mostram verdadeiras aberrações antifamília, mas para eles está tudo bem. Mas quanto a um pastor ou líder evangélico, basta uma acusação leviana, divulgada pela mídia patrocinada, para que haja escárnio e execração pública.

Jesus diz que pelos frutos os conhecereis. É marketing de mercador desonesto, que diz ao cliente para não comprar o produto do outro que está estragado, mas mascara sua própria podridão encerando e besuntando frutos bonitos e brilhantes, mas cheios de vermes.

Os frutos dessa mídia patrocinada sabemos como são. E os nossos frutos? Também estão cheios de vermes? Imprestáveis para comer e mesmo para dar testemunho de Cristo? Será que temos dado ouvidos à execração pública patrocinada ou temos acompanhado os fatos até o fim?

Não estamos aqui para por nada embaixo do tapete, pois há uma minoria de evangélicos que erram feio. A maioria dos erros é de natureza religiosa, bíblica, e não propriamente moral. Os pregadores da prosperidade, os curandeiros, estão longe de pregar o verdadeiro evangelho de Cristo, são falsos profetas assim como qualquer outro que prega doutrina estranha à Salvação, mas não podemos lhes atribuir condenação moral por causa disso. Podem estar bíblicamente errados, mas podem ter tanta moral quanto é possivel que pessoas sem Deus a tenham.

Fiquemos atentos às astúcias de Satanás contra o povo de Deus. E não percamos tempo assistindo coisas que não constroem nada de bom, ao contrário, servem de exemplo para o pecado e para apologia do mal.