18/12/2009

Cultura Bíblica

Está na moda dizer que a cultura ocidental influenciada pelo cristianismo é uma cultura de repressão, onde as pessoas sentem-se culpadas por fazer o que desejam mas não é aprovado. Em outras palavras, dizem que a cultura cristã é coercitiva. Ora, isso é chover no molhado, pois toda cultura é coercitiva. Quem está inserido numa cultura seja ela de um país ou de uma tribo (indígena ou urbana) sofre coerção para se adequar a seus valores e procedimentos. A cultura cristã é tão coercitiva quanto qualquer outra. Para não existir coerção, deveria-se destituir de toda cultura o que é absurdo, pois como ser social o homem naturalmente produz cultura em suas relações. Portanto, vemos que tal afirmação não é útil para nada, a não ser, como vemos no decorrer da pós-modernidade, para tentar substituir a cultura cristã por outra pior, muito mais coercitiva e autoritária com falsa aparência de liberalidade.

Toda cultura muda, é fato. Não há cultura que permaneça inalterada exceto as totalmente isoladas de outras sociedades. Mesmo culturas isoladas e ditas primitivas ao primeiro contato com a “civilidade” passam a mudar, ao descobrirem que um hidroavião é só uma máquina que voa e não um “grande deus pássaro”.

Toda cultura mudará, e conscientes disso, devemos agir diferente dos intelectuais que vêem nos grupos sociais apenas laboratórios antropológicos para suas teses de doutorado, mais preocupados com minúcias comportamentais do que com a documentação do que é realmente relevante na cultura daquele povo como contribuição para a humanidade.

Povos de culturas isoladas são pessoas, e não cobaias, que também têm direito de decidir se desejam conhecer outra proposta religiosa e optar por ela, além de outras propostas socialmente possíveis. Negar o direito de opção consciente a partir de uma reflexão sobre seu próprio mundo e sobre o mundo “alienígena” que os cerca é matar a cultura daquele povo, pois de tão isolados e “protegidos” em suas gaiolas antropológicas desaparecerão sem aprender outros conhecimentos e sem contribuir com seu conhecimento à humanidade. Muitas culturas indigenas se transformam e até desaparecem sem compartilhar seu conhecimento da riqueza da floresta com a sociedade, deixando apenas registros de danças, pajelanças, e nada mais, em monografias e teses que rendem honras e dividendos acadêmicos a indivíduos e contribuem muito pouco com a sociedade. E estes querem falar mal da contribuição da igreja?

A maior contribuição que podemos dar a esses povos é falar de Jesus, da Salvação em Cristo, para que escolham a quem servir. Povos de culturas isoladas não são cobaias, são pessoas que precisam de Salvação além de mediação educativa na transformação cultural que viverão, para que não fiquem confinadas aos labirintos dos laboratórios antropológicos, pois precisam ser conscientes do que fazem, das suas potencialidades, e dos perigos do mundo, para que não sejam sacrificados como ratos sem direito a Salvação e contribuição à atualidade ou mesmo à posteridade.