12/10/2009

Linguagem Figurada e Contexto Bíblico


Muito se fala em figuras de linguagem para defender doutrinas ou ensinamentos incoerentes com a Bíblia. Geralmente essas noções sobre figura de linguagem não levam em consideração as particularidades do texto bíblico, especialmente sua característica de Palavra de Deus Revelada. Defendem o uso indiscriminado de figuras de linguagem influenciados por uma teologia antropocêntrica que não crê na Bíblia como única, inerrante e infalível Palavra de Deus, às vezes conscientes disso, às vezes não.

A área de maior incidência dessa prática teológica, infelizmente, é na música sacra acompanhada de perto pela teologia da libertação e neo-pentecostalismos. Isso não é de estranhar pois mesmo em seminários evangélicos tradicionais, há aqueles estudantes de música sacra que reclamam de ter que estudar doutrinas e matérias de interpretação bíblica, pois segundo estes, sua praia é a música, como se fosse possível dissociar a música sacra da compreensão correta da Bíblia para um ensino e louvor qualitativo.

Vamos abordar então a linguagem figurada sob dois pontos de vista: o mundano e o bíblico. Sob o ponto de vista mundano, as figuras de linguagem são usadas para produzir riqueza literária, que é entendida como múltiplos significados e significâncias para a mesma ideia. No mundo das múltiplas interpretações artísticas, qualquer interpretação é válida não importando quão absurda seja, basta apenas que gere experiências sensíveis e estéticas descompromissadas com a consciência lógica das coisas, pois para estes nenhuma experiência sensível precisa ter lógica. Usam a associação livre sem compromisso com o texto ou com o contexto, e abolindo e até repudiando qualquer avaliação mais centrada numa avaliação estruturada e responsável, aliás, julgam que a arte não tem limite existindo “artistas” que mutilam o próprio corpo, destroem Bíblias, expõem excrementos humanos como obra de arte, arriscam suas vidas de forma mutiladora e até suicida para mostrar que estão “contra o determinismo fatalista de Deus” . Pesquise sobre arte contemporânea mais a fundo, principalmente nos países ditos desenvolvidos da Europa sem Deus, e você verá a que absurdos a humanidade tem chegado. Um exemplo é a “artista” Orlan que submete-se a cirurgias que deformam seu corpo com a desculpa de fazê-lo o suporte de sua arte e um manifesto contra a vontade de Deus. Será a esse ponto que nós, evangélicos, queremos chegar em nossas manifestações de culto que usam a arte como meio para evangelizar? Espero que não, mas deve ter muita gente querendo isso para deturpar a pregação do Evangelho.

Essa abordagem artística contrasta com a Linguagem Figurada sob o ponto de vista Bíblico, onde as figuras de linguagem não tem como objetivo principal a “riqueza de interpretação” mas sim uma facilitação da compreensão da vontade de Deus. As figuras bíblicas não são mero recurso estilístico, embora alguns desavisados possam entender assim, elas estão ligadas de maneira lógica e inteligível para que expressem a verdade que Deus desejava passar a seu povo conforme a cultura, costumes, ambiente e sociedade da época, portanto as figuras de linguagem na Bíblia estão atreladas à realidade do povo de Deus em seu tempo específico. Por isso encontramos dificuldades em avaliar um texto bíblico hoje; os significados para os mesmos signos são diferentes em nossa sociedade e na sociedade hebraica do tempo Bíblico.

Mas não podemos ser tardios no entendimento (Hb 0.0),devemos reconhecer a objetividade das figuras de linguagem, usadas como RECURSO DE ARGUMENTO nas escrituras e não como recurso meramente estilístico. Para entender esses argumentos é necessário um estudo apurado de todos os detalhes que envolvem o texto na sua época específica e descobrir qual é a verdade essencial , universal, atemporal, que resiste às diferenças temporais, culturais, geográficas, para que possamos fazer uma interpretação correta da Bíblia.

A interpretação irresponsável da Bíblia gera as maiores heresias pois letras e interpretações sem contexto e sem aplicação adequada e claramente inteligível só podem produzir o que não é bom. Algumas das maiores aberrações teológicas surgem da interpretação desajustada de textos repletos de figuras de linguagem como o Apocalipse, que precisa ser entendido como uma mensagem cifrada, quase que criptografada, à igreja de Cristo que usava figuras de linguagem e simbologias que somente os cristãos perseguidos até a morte poderiam entender, isso foi feito para em caso de captura de cristãos em posse de cópias do livro, os inimigos ficassem confundidos sem entender do que se tratava. A simbologia de Apocalipse era uma proteção contra uma ameaça de morte.

Precisamos entender que essas figuras de linguagem simbolizavam coisas extremamente objetivas, sem interpretação dúbia, para que possamos falar da Palavra de Deus com consciência e instruir louvando como agrada a Deus e não gerando um culto humanista onde prevalecem os conceitos dos artistas de hoje.

Por falar em Apocalipse, outro exagero é o fundamentalismo que leva tudo ao pé da letra e gera outros erros teológicos. A corrente que defende uma interpretação que crê na Bíblia como infalível e inerrante Palavra de Deus que deve ser interpretada de forma contextualizada e aplicada à realidade atual chama-se Ortodoxia. Precisamos dessa tal ortodoxia nos púlpitos e nas músicas para que não esvaziemos de sentido algo tão rico e ao mesmo tempo simples que é o Evangelho de Jesus Cristo.