11/10/2009

Desculpas viáveis

Rom 2:1-2 Portanto, és inescusável, ó homem, qualquer que sejas, quando julgas, porque te condenas a ti mesmo naquilo em que julgas a outro; pois tu que julgas, praticas o mesmo. E bem sabemos que o juízo de Deus é segundo a verdade, contra os que tais coisas praticam.

Alguns pensam que o julgamento é proibido na Bíblia. Não é verdade, o julgamento hipócrita e inconseqüente, temerário, é proibido mas um julgamento com base, com fundamentação é até desejável para fundamentar a justiça. Julgamos o tempo todo, quando escolhemos a roupa que vestimos, o programa de televisão que assistimos, a comida que comemos, aliás quando julgamos estes produtos como bons ou maus estamos julgando, não o produto, mas as pessoas que o fizeram sejam elas organizadas juridicamente ou não.

O Texto de Romanos 2.1-2 não proíbe o julgamento mas diz que é indesculpável aquele que julga e faz a mesma coisa, por exemplo, um juiz que condena um ladrão mas comete corrupção. Era o que os fariseus faziam “coavam um mosquito mas engoliam um camelo”. Paulo no texto acima apenas diz que julgar alguém e cometer o mesmo erro nos faz culpados daquele erro e até mais, pois mentimos quanto à nossa condição para julgar.

Quando Jesus diz que não devemos julgar para não ser também julgados, Ele usa uma palavra grega em que o julgamento tinha haver com condenação e não avaliação de algo como coerente com a vontade de Deus.

Veja como a Bíblia nos orienta a julgar (não condenar) de forma responsável o que é dito como Palavra de Deus:
Joã 7:24 Não julgueis pela aparência mas julgai segundo o reto juízo.
1Co 10:15 Falo como a entendidos; julgai vós mesmos o que digo.

Há tantos problemas de afastamento da Palavra de Deus na igreja evangélica brasileira pois confundiram o julgamento de avaliação com o julgamento de condenação. Com isso não se podia avaliar mais nada, pois alguém logo dizia que estavam “julgando” o que era inaceitável, qualquer coisa se tornou válida, até chegar a essa babel mercadológica da fé que temos hoje.

Na história da igreja cristã, o fato de não julgar gerou vários problemas. Um exemplo disso é o culto a imagens que começaram como uma forma de ensinar as escrituras através de ilustrações para um povo não letrado, era apenas um recurso didático mas logo transformou-se em idolatria. Hoje isso acontece com a música evangélica e com os cultos neopentecostais.

Não se pode julgar uma letra de música ou uma prática de culto extravagante. As desculpas se multiplicam e ninguém faz nada, pois é mais interessante comercialmente que tudo fique como está.

Deixamos claro que não somos melhores do que ninguém e tão sujeitos a erros como todos mas se exortarmos uns aos outros ao invés de escondermos nossa opinião por medo da mídia ou dos outros, a igreja irá caminhando mal no Brasil, mesmo que arraste multidões que não sabem nem avaliam o que buscam.