06/10/2009

Compor cânticos de louvor

Já fiz buscas na internet sobre como compor cânticos de louvor, não porque eu seja músico, mas porque me interesso pelo assunto. Encontrei algumas dicas medonhas que demonstram o motivo de tantos cânticos sem pé nem cabeça. Essas tais dicas em geral são do tipo:

“Entre no seu quarto e começe a tocar uma sequencia de acordes no violão;
Comece a cantarolar louvores que logo sairá um cântico pronto”.

Sinto informar que este é o pior caminho que alguém possa tomar na composição de um hino de louvor. Este é um processo de alteração de consciência, totalmente contrário ao evangelho que prevê que devemos ser conscientes em nosso louvor. Por isso há tantos mantras na música evangélica atual que não fazem sentido nem louvam a Deus.

Para compor é preciso muita meditação consciente através da leitura e interpretação da Palavra de Deus. Livros sobre hermenêutica bíblica (princípios para interpretação de textos da bíblia) e homilética (arte de organizar ideias para um sermão) podem oferecer ferramentas que ajudem nessa tarefa

Não sou especialista em música, mas vou deixar aqui um outro meio de escrever cânticos, mais consciente, inteligível e menos místico.

Em primeiro lugar, precisamos saber o que é louvor. Louvar é falar bem de alguém, quando louvamos falamos bem de Deus. Isto deve estar bem claro na letra da música. Deve-se enfatizar claramente QUEM estamos louvando, não adianta fazer música romântica, como fazem alguns, e colocar no final o nome de Jesus. Não significa que você tenha que repetir o nome de Jesus o tempo todo, pode usar sua criatividade, mas a forma como se dirige a letra deve deixar claro que refere-se a Jesus e não a uma pessoa romanticamente apaixonada. Aliás, paixão é exagero, portanto, pecado. O verdadeiro amor não tem nada haver com paixão.

Em segundo lugar devemos ter cuidado de COMO vamos louvar. Isso inclui o ritmo da música, a estrutura da letra, o conteúdo de nossa mensagem cantada. Ao contrário do que muitos pensam, a música não é louvor, é na verdade um instrumento de louvor e de ensino, assim como a pregação. Se um cântico evangélico não ensina nada sobre a bíblia, não há louvor. Para ensinar é necessário clareza de entendimento e um objetivo definido de ensino. Pense em qual verdade bíblica você quer ensinar com seu cântico, ore, lei e releia o texto, selecione as ideias principais como faz um pregador ao preparar um sermão, só então comece a escrever sua letra.

Em terceiro lugar, um cântico inteligível precisa demonstrar PORQUE está louvando. Temos muitos motivos para louvar a Deus e um cântico congregacional deve demonstrar motivos comuns a todo o povo de Deus e que sejam claramente respaldados pela Bíblia. Letras personalistas são um recurso mundano e não cristão.

Para terminar quero falar sobre dois tipos de cânticos: o de louvor, e o de apelo.
O de louvor é o mais comum, que como já dissemos é falar bem de Deus. O cântico de apelo pode ser uma verdadeira pregação musical. João Alexandre faz isso muito bem, o cântico “Louco” em ritmo de blues de sua autoria tem grande força para apelar ao coração do pecador.
O cântico de apelo é um convite ao pecador para fazer um escolha e servir a Deus. Como tem sido escassos os cânticos assim! Experimente compor dessa maneira.

Quanto à parte musical em si não vou expor aqui pois não sou músico, mas deixo a dica um livro sobre composição com linguagem simplificada que se chama Como Compor Músicas Facilmente de Fernando Azevedo que pode ser encontrado em lojas de música.

Aproveite e veja um vídeo da música de João Alexandre que citei: