23/08/2009

Espiritual ou Racional?

Rom 12:1 Rogo-vos pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.


Outro dia ouvi um pregador defendendo - concordando com comentário da Bíblia de Geneva - que o “Culto Racional” citado em Romanos 12.1 deveria ser entendido como “Culto Espiritual”. O pregador defendia que o termo “culto racional” esvaziava o sentido espiritual do texto e levava a um entendimento muito mecanicista do assunto. Estranhei logo de início esta explanação e resolvi verificar sua procedência.


Primeiro, analisando as palavras. Culto, no grego, pode ser traduzido também por: serviço de adoração a Deus, Serviço divino, adoração – o que não muda muita coisa na tradução original. Vamos à Palavra “racional” que tem origem em lógico, razoável, algo bem compreendido pela palavra, de boa fama, está ligado ao conceito de palavra que se aplica ao próprio Cristo o “logos” de Deus. Entendo que se refere a uma vida espiritual, agradável a Deus de maneira compreensível e claramente distinguida pela razão. Poderíamos dizer que “culto espiritual” é tradução incompleta, preferindo a tradução corrente. Na verdade o culto a Deus onde sacrificamos nossa carnalidade, resguardando nossos corpos em santidade, por amor a Cristo é um “culto razoável” que é o mesmo que “racional”. Quem cultua racionalmente sabe que precisa manter razoabilidade entre a espiritualidade que requer uma nova natureza em Cristo sempre em confronto com a velha natureza humana pecadora.


Houaiss, em seu dicionário nos dá a etimologia da palavra “razoável” em português que significa, no latim mãe do idioma lusófono, algo 'que serve para contar'. Isto está em pleno acordo com a interpretação de que o culto racional é um culto onde se entende as coisas, se domina o corpo e paixões, onde se busca meditar de forma construtiva para nós e para o próximo sem gerar escândalos, pois um verdadeiro culto a Deus deve ser algo que “sirva para contar”, seja contar no sentido de anunciar os feitos de Deus em nossa vida, ou mesmo mostrar sua qualidade num viver compreensível e agradável, que não é uma mera experiência mística transitória e sem sentido.


Chamo atenção que com esse discurso desvia-se a atenção para o conteúdo principal do versículo: nosso culto racional é apresentar nossos corpos a Deus de maneira pura, pois Deus demonstrou seu amor por nós. O fato de tornarmos nossos corpos sacrifício não significa o ato de imolar, mas de nos colocar nas mãos de Deus inteiramente para Ele fazer o que quiser conosco, assim como o próprio Cristo fez, embora somente Jesus tenha cumprido o único sacrifício necessário e plenamente suficiente.


Como têm sido nossa vida espiritual? Estamos vivendo espiritualmente, ou espiritualizando o que devemos viver?