26/07/2009

Fui na Sessão do Descarrego.

Outro dia fui a uma igreja caça-níqueis. É bem verdade (acredite!) que fui contra minha vontade, arrastado por um familiar impressionado com os falsos milagres daquela falsa igreja, que me incomodava a muito tempo para que fizesse tal visita, coisa que já conturbava nosso relacionamento familiar. Fui mas fiquei de olho no padre, quer dizer no falso pastor.
Primeira coisa a chamar a atenção foi a ausência total de estudo da Bíblia. Só quando terminou a “sessão de descarrego” o tal religioso citou o texto bíblico em que Jesus diz ao paralítico “levanta e anda”, tal texto foi citado enfatizando maldosamente uma pergunta de Jesus aos escribas: “Mat 9:5 Pois qual é mais fácil? dizer: Perdoados são os teus pecados, ou dizer: Levanta-te e anda?” O tal pastor falou que era mais difícil dizer “levanta e anda”, demonstrando, ou sua maldade, ou seu desconhecimento total do mínimo de teologia para pastorear um rebanho.
Vejamos, Jesus falava a escribas, pessoas versadas na lei que pensavam em o acusar de blasfêmia ao perdoar os pecados do paralitico. Naquele tempo fazer um milagre não era problema, seria muito fácil receber os louros dos milagres, mas ao perdoar pecados Jesus mostrava que era Deus, algo que ninguém ousava por medo de ser morto pela multidão. Portanto, era muito mais difícil perdoar pecados do que curar um paralitico. Jesus curou o paralitico, mas enfatizou que poderia fazer tanto o mais fácil para Ele que era curar quanto poderia perdoar pecados, veja o texto seguinte: “Mat 9:6 Ora, para que saibais que o Filho do homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados (disse então ao paralítico): Levanta- te, toma o teu leito, e vai para tua casa”. Como alguém que se diz pastor pode julgar o perdão de pecados algo menor do que pretensos milagres?
Nem preciso dizer que os métodos e recursos de marketing usados para conseguir ofertas abundavam durante o culto em contraste com o tempo ínfimo dedicado a uma citação da bíblia.
Durante a “sessão de descarrego” algumas coisas me chamaram a atenção. No momento da “oração forte”, o que na verdade não existe pois poderoso é Deus e não uma oração cheia de misticismo, trocou-se o microfone por um que estava preparado com outra freqüência com um certo efeito sonoro e com aumento de volume. O som deste microfone era meio alucinante, assim como drogas eletrônicas que agora vendem pela internet apelando para freqüências de som e ritmo com intenção de levar as pessoas ao êxtase. Logo alguns caíram de forma escandalosa, especialmente os que estavam perto das caixas de som, e serviram ao show de entrevistas com o “demônio” praticado pelo dito pastor.
Na saída da “reunião” ficou bem claro que tais pessoas buscam a possessão demoníaca na “igreja” como uma forma de serem “libertas do mal”, pois à porta do estabelecimento uma senhora tentava me convencer de que precisava “manifestar” para ser liberto, assim como ela, que ficou anos “buscando o Espírito Santo” até que um dia manifestou e foi liberta. Para ela, o fato do Espírito Santo habitar no que crê em Cristo e não deixar lugar para o Diabo, é irrelevante. O que eles buscam mesmo é a “manifestação”. Não é de admirar que num estabelecimento religioso onde se ensina tal coisa, haja tantas pessoas predispostas sob qualquer sugestionamento ambiental a “caírem endemoninhadas”. Cairam alguns, fizeram escândalos mas um rapaz me chamou a atenção. Todos os escandalosos o pastor “curava” na hora. Mas com aquele rapaz não foi assim.
O rapaz queixava-se de trombose. No inicio deixaram-no ajoelhado, mas o interessante é que logo o “demônio” procurou uma posição em pé mais confortável para o “possuído” enquanto o pastor não vinha. Quando o pastor chegou perto desse rapaz, olhou suas pernas, viu que a coisa era séria, orou, ungiu, mas não curou na hora. As pernas do rapaz não desincharam e o pastor mandou que procurasse o médico para verificar a cura. Não houve muita valorização desse caso com entrevistas sobrenaturais.
Será que Jesus pregou o evangelho da inconsciência? Será que Jesus pregou que Devemos ser possessos do demônio para sermos libertos? Será que a presença do Espírito Santo em nós pode ser compartilhada com um demônio? O que acontece se estamos vazios de Deus?