16/06/2009

Igrejas que perdem tempo

Os Batista são conhecidos como os crentes mais competentes na realização de eventos. Muitos evangélicos e mesmo pessoas de outras religiões elogiam essa característica, especialmente na parte artística. É uma pena, seria melhor que fossemos conhecidos como antigamente "os que pregam e ensinam com mais zelo e cuidado a Bíblia Sagrada". Chega-se ao ponto de selecionar e segregar quem canta, toca ou encena no domingo e quem fará isso em grupos menos concorridos durante a semana. A arte, que deveria ser instrumento de ensino passa facilitar o entendimento das escrituras e promover a comunhão e realização mútua da igreja, agora serve para os mesmos objetivos do mundo: dar fama aos "grandes artistas" que ainda tem a pretensão de se chamar de "levitas" como se fossem a tribo sacerdotal de Israel separada e, consequentemente, uma tribo separada da igreja local. Nossos artistas estão formando uma "tribo de levitas" separada de toda a igreja onde todos deveriam ser reis e sacerdotes. É um absurdo! O sacerdócio universal dos crentes é um princípio batista que muitos tem ignorado para satisfazer suas vaidades. Muitos tem se colocado em lugar de pessoa especial, com pretensa capacitação especial, que merece lugar de honra e reconhecimento entre a igreja pois consideram-se portadores de um "dom espiritual". Esquecem-se que talento natural não é dom espiritual. Cantar por exemplo, é um talento ou aprendizado, mas não é um dom. Nem mesmo louvar é dom. Louvar é a disposição do crente fiel a Deus em bendizer o seu nome, que pode ser expressado por cânticos, ações, palavras, testemunho. A música, o teatro, são instrumentos de louvor mas não são louvor, pois o louvor é algo que só pode ser prestado por um ser pessoal com todos os seus sentimentos e espiritualidade contextualizados em um certo lugar e tempo, uma técnica artistica é imparcial, impessoal, portanto não pode ser louvor. Um CD gravado também não é louvor, é uma gravação, mesmo que seja o registro de um louvor pontuado no tempo, pois o louvor deve ser um ato constante, ou como preferem alguns "um estilo de vida". Porque então perdemos tempo com técnicas apuradas de arte, e esquecemos de valorizar um estilo de vida realmente de quem louva a Deus. Temos vivido como adoradores ou como meros artistas? Temos vergonha de louvar para não ser recriminados pelos artistas? Temos vergonha porque nos consideramos inferiores aos mesmos? Pense bem nas respostas que dará, pois, infelizmente, muitas igrejas tem se conformado mais a casas de show do que a casa de oração.