15/05/2009

Quando a Palavra de Deus habita em nós

A Bíblia e Você
(Col 3:16) a) A palavra de Cristo habite em vós ricamente, em toda a sabedoria; b) ensinai-vos e admoestai-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, c) louvando a Deus com gratidão em vossos corações.
Você notou que dividi o versículo em partes: a, b e c. Foi proposital para que possamos investigar melhor o texto. A primeira pergunta que devemos fazer é como a Palavra de Deus deve habitar em nós? O texto responde: ricamente, em toda sabedoria. Ricamente segundo Strong poderia ser traduzido também como copiosamente, abundantemente, de forma ampla, generosa. Significa que a Palavra de Deus deve compreender toda a nossa vida produtiva, sejamos nós ricos ou pobres materialmente, pois vida produtiva a que me refiro é aquela em que nos tornamos canal de bênção para outras pessoas através de nosso viver pela Palavra de Cristo, é interessante notar que uma pessoa pode ter uma vida produtiva, abundante, generosa, ou rica mesmo quando aparentemente não pode produzir nada, pois a riqueza a que o texto se refere é espiritual, que as vezes é mostrada para outros, mesmo por pessoas sem nenhuma riqueza ou sob forte dor. Essa riqueza da Palavra de Deus não é conseguida com muitos estudos como poderia alguém interpretar errado o termo “sabedoria”. Um homem sábio hebreu era diferente de um sábio grego. O grego buscava sabedoria na mãe de todas as ciências que é a filosofia, ele queria investigar tudo através de seu intelecto, buscando respostas que explicassem o mundo a sua volta, alguns deles buscavam a verdade como Sócrates, outros queriam manipular a verdade a seu gosto como os sofistas. O Sábio Judeu buscava uma sabedoria prática para a vida, que levasse ele a viver de acordo com a Palavra de Deus e em harmonia com o próximo, é sobre essa sabedoria que a Bíblia nos fala. Quantos problemas têm em nossas igrejas porque alguém se acha mais sábio que o outro? Quantos irmãos ostentam diplomas e pós-graduações como forma de obter primazia? A ciência que conhecemos é útil se bem utilizada pelos homens em algumas de suas atividades diárias, mas ela nunca dará a resposta adequada para cada situação que a Sabedoria pode dar, pois esta é prática e vem de Deus que criou todas as coisas, aquela é fragmenta, imperfeita e baseada em experiências laboratório. Seja este laboratório fechado ou laboratório de campo, será sempre uma situação presa a procedimentos específicos. A sabedoria não pode ser contida em laboratório pois não sabemos nem a hora quando vamos precisar dela. Só Deus sabe e orienta como devemos agir. Para que a palavra de Cristo habite em nós também precisamos ensinar e admoestar uns aos outros. Aqui enfoco a natureza pedagógica da pregação e vivência do evangelho. Não há crescimento espiritual sem ensino e sem encorajamento a fazer o que Cristo nos ensina. Na igreja somos ensinados a viver a Palavra de Deus, já é o primeiro passo do processo de ensino cristão, depois com as intempéries da vida, nos momentos difíceis, devemos encorajar um ao outro a viver como Deus determinou. O apóstolo destaca alguns instrumentos para esse ensino: salmos, hinos e cânticos espirituais. Alguns, erroneamente, pensam que cânticos ou hinos são “o louvor” a Deus, mas não o são necessariamente, pois podem ser cantados por ímpios apenas por sua beleza estética ou ritmo agitado sem nenhum sentimento de adoração. Os cânticos e hinos são expressão de adoração em lábios que professam o nome de Deus, mas principalmente, são instrumentos de ensino e admoestação da igreja através da transmissão da Palavra de Deus metrificada e cantada de forma agradável, facilmente memorizada e inspiradora. Admoestar é mais do que encorajar no sentido mundano de “motivação”, o encorajamento cristão incentiva a fazer o bem, mas não ignora ou minimiza o pecado. Quantos cânticos em nossas igrejas são meramente motivacionais e não ensinam nem encorajam da forma bíblica? Estaremos nós realmente louvando quando cantamos coisas como “pisa no inimigo” quando o foco do louvor é falar bem de alguém, no caso o próprio Deus, e não citar uma “guerra espiritual” como temática principal. Falemos bem de Deus, louvemos o seu nome, digamos o quanto Ele é santo e não se agrada do pecado, agradeçamos pela Salvação, e deixemos de meninices que só destroem o objetivo principal dos cânticos de louvor a Deus para ensino e admoestação da igreja. O texto escolhido termina dizendo que devemos louvar a Deus com gratidão em nossos corações. Quando louvamos a Deus temos manifestado essa gratidão ou apenas buscado “motivação” sem aprendizado e sem admoestação para o resto da semana? Se buscarmos somente motivação sairemos empanturrados como quem comeu um alimento fraco porém massudo, até nos gabaremos de nossa força, mas será ilusão. Vamos viver a palavra de Deus sem as ilusões desse mundo, por mais tentadoras e aparentemente clericais que sejam.