20/05/2009

Dinâmica para grupos familiares

A Bíblia e Você

Fiz este texto para ser usado como dinâmica de grupo familiar. É feito para ser lido e refletir sobre como a realidade Bíblica se repete na vida dos homens ainda no dia de hoje. Deve-se dar maior importância à aplicação que a reflexão no texto bíblico pode oferecer, pois escrevi a história abaixo apenas para ser um facilitador da discussão e da aplicação pessoal.

Nasceram dois meninos, numa favela do Rio de Janeiro. Caim e Abel, Filhos de Seu Adão com Dona Eva. Embora digam que comunidade é mais politicamente correto, eles nasceram na favela mesmo, pois não se deve esconder nada com jogos de palavras.

Seu Adão não saia bem de seus empregos, diziam que ele era encrenqueiro e sem personalidade, manipulado pela mulher, pois Dona Eva sempre queria mais, sendo sempre atendida em seus desejos, afinal ela se sentia especial e sua exigência coincidia com o conceito que tinha de si mesma. Se Adão precisasse desafiar autoridades para atender a esposa, coisa que não tinha competência para fazer, mas a que se metia pelo orgulho, instigado por seus parentes menos prudentes e sibilosos, não reconhecendo seu próprio lugar na hierarquia, ficava sem desenvolver ou reconhecer seu verdadeiro valor numa empresa ou comunidade, chegando até a cometer impropriedades que lhe proporcionavam justas causas trabalhistas que, por tantas, e justificadas, já não podia trabalhar em empresa decente.

Adão até tentou ser readmitido numa boa empresa, a Paraíso Jardinagem e Paisagismo Ltda., mas logo na entrada um vigilante exemplar barrou-lhe a entrada dizendo que sua presença não era desejada ali. Sentia-se ultrajado, pois tinha sido tão querido naquela empresa e agora não podia sequer cruzar-lhe as portas. O sentimento de impotência e o cheiro do suor que escorria por sua camisa colada no corpo andando pelas ruas contrastava com seu costumeiro ar condicionado do escritório da oficina. Vez por outra passava pelo empresário na rua, mas já não tinha a mesma intimidade dos tempos de encarregado. Entre ele e o empresário não existiam mais portas abertas, mas aço e vidro a prova de balas que revestiam o caminho por onde passava contrastando com sua casa sem portas e sem janelas pelo longo período de estiagem financeira. Essa casa certamente não era o que Seu Adão desejava para receber seus filhos gêmeos. Sim eram gêmeos, pois apesar das coincidências com a narrativa Bíblica, o Adão da favela não teve a mesma sorte do pai da humanidade tendo um filho de cada vez. Vieram duas bocas ao mesmo tempo para a casa daquele desempregado.

Seu Adão, apesar de dar ouvidos a Dona Eva, sempre dizia: “A culpa é desse raio de mulher com quem me amarrei. Por isso minha vida não vai pra frente”. Pensava até que não nasceu para viver agarrado com ela, mas Dona Eva não retrucava e fazendo-se de vítima continuava a relação de consórcio. Então nasceram os bebes.

No dia em que Dona Eva sentiu as contrações de parto os vizinhos tiveram que leva-la para o hospital, pois seu Adão não estava lá, tinha saído cedo para catar mariscos para vender numa praia da região. Dona Eva foi atendida prontamente no hospital, parto normal, com dor e tudo. Depois do resguardo necessário saiu do hospital e encontra no corredor seu Adão também recebendo alta. Durante a coleta de mariscos tinha pisado em cheio em ouriços do mar e fora internado sem poder andar direito e com o pé inchado como pilão. Dona Eva empurrou-lhe as crianças, chamando-o de irresponsável, pois não participara de um momento tão importante na vida do casal. Lá foi Seu Adão mancando com o pé enfaixado e esquivando o ouvido da ladainha da “mulher que Tu me destes” – isso mesmo, às vezes ele culpava Deus por ter casado com Dona Eva.

Olharam para um dos meninos, e vendo que era forte e belo, depositaram suas esperanças de futuro nele e imediatamente Dona Eva apressou-se a por um nome no guri “Ele se chamará Caim”. Seu Adão achou que já era nome bíblico demais na mesma casa, protestou, mas como marido bem mandado aceitou e até elogiou a escolha pois descobriu que o nome significava mais ou menos “aquele que luta com lança”. Uma criança com o nome assim defenderia bem a família, não havia nome mais apropriado.

Olharam para o outro menino e não se entusiasmaram tanto. Dona Eva disse: “Pra esse aí você dá o nome”, Seu Adão coçou a cabeça, pensou, pensou, afinal esse não era seu forte, de repente o menino suspirou e, o suspiro, inspirou Seu Adão: “Vai chamar-se Abel”, a mulher logo reclamou, perguntou se tava maluco de ter dois filhos com aqueles nomes sabendo da história bíblica, que eles seriam motivo de chacota e até de preconceito, e falou muitas outras coisas, mas dessa vez Seu Adão não deu ouvidos a Dona Eva pois “Abel significa suspiro, o garoto suspirou, portanto ele é Abel”. Brigaram mais um pouco, depois foram para casa onde colocaram o berço de Caim no lugar melhor do quarto sobrando outro espaço para Abel.

O resto da história é você que decide. Em que poderiam se tornar o Caim e Abel de nossa história? E se eles fosses seus filhos? E se Adão e Eva fossem nossos pais? Lembre-se que eles não são os personagens Bíblicos. O que poderia levar nossos personagens a caminhos diferentes? Em que nos parecemos com Adão, Eva, Caim e Abel em nossas vidas?


Por Marco Teles