29/04/2009

Amor e Pentecostalismo

Este pequeno galã é meu sobrinho neto Lucas Villafuerte.
1Co 13:8 O amor jamais acaba; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; 1Co 13:9 porque, em parte conhecemos, e em parte profetizamos; 1Co 13:10 mas, quando vier o que é perfeito, então o que é em parte será aniquilado. 1Co 13:11 Quando eu era menino, pensava como menino; mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. 1Co 13:12 Porque agora vemos como por espelho, em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei plenamente, como também sou plenamente conhecido. 1Co 13:13 Agora, pois, permanecem a fé, a esperança, o amor, estes três; mas o maior destes é o amor.
Chegar a ser adulto na fé é acabar com as coisas próprias de criança. Este é um argumento simples e lógico usado pelo apóstolo Paulo que deveria ser entendido pelos Coríntios que viviam uma fé infantil a tal ponto de se encontrar entre eles tais pecados que mesmo entre os impios eram considerados de má fama. Paulo, em toda a carta, busca por argumentos embasados no ensino de Cristo demover os Coríntios de sua fé vacilante. Os Coríntios aferravam-se ao dom de línguas e profecia de forma similar aos cultos idólatras que os cercavam na metropole em que viviam, Corinto. O misticismo e a prostituição cultual eram práticas toleradas entre os coríntios ímpios, de tal forma que foi cunhado o termo "corintianizar" como sinônimo de prostituir-se. Paulo era cuidadoso no ensino, pois sabia que a realidade cultural daquela comunidade opunha-se aos ensinos das Sagradas Escrituras. A confusão quanto ao dom de línguas vinha dessa influencia do meio, alguns usam até os versículos de 1Cr 13 para defender a mesma prática dos crentes de Corinto. Lembremos que a glossolalia é uma manifestação de extase religioso presente em várias religiões idólatras, como nas religiões idólatras de Corinto, e certas formas de feitiçaria afro brasileira (podendo também ser induzida por hipnose), portanto aqueles crentes tinham em grande conta este tipo de manifestação extática assim como muitos brasileiros também o têm. Este tipo de prática foi reintroduzida na igreja Cristã no início do século 20 por Willian Seymour, um afro americano, filho e neto de escravos, cuja discriminação que passou gerou nele um pensamento de libertação social dentro das igreja racistas americanas, manifestado nessa doutrina remasterizada entre negros e imigrantes vindos de todas as partes do mundo para os EUA que também traziam um forte misticismo de suas culturas locais ou história de vida. Os batistas estadunidenses contribuiram com a reformulação dessa doutrina através de seu racismo eclesiástico que exclui pessoas como W. Seymour da comunhão plena com a igreja. O site spider.georgetown.edu em inglês, afirma que a maior contribuição de Seymour para a igreja evangélica foi "sua visão da igualdade racial e gênero na igreja" pois não permitia discriminação mesmo com as mulheres na época, coisa bem diferente do pentecostalismo brasileiro. Mas não vou discutir glossolalia em si, ou xenoglossia que é pretenso espiritismo poliglota. Vou falar sobre a maturidade da Palavra de Deus que muitos ignoram neste texto bíblico por olhar apenas para aquilo a que sua história mistica de vida lhes atrai. O Versículo 8 diz que profecia, línguas e ciência cessariam. Paulo cita fontes da Revelação Bíblica Neotestamentária a profecia e linguas em geral não se discute, mas ciência aqui não se refere a conhecimento humano ciêntifico na acepção atual, mas ao conhecimento especial dado por Deus aos apostolos para orientar a Igreja. O apostolado, ao contrário do que alguns pensam, cessou, e com ele a ciência acompanhada pelas línguas e profecia, pois os apóstolos nos deixaram registrado na escritura o que é realmente necessário. No versículo 9 os termos gregos equivalentes a "conhecemos" e "profetizamos" está no presente indicando algo do momento em que o apóstolo escrevia, se fosse algo continuado sem termino definido seria usado o tempo verbal grego apropriado para isso, coisa que Paulo, um erudito, não fez. Os Coríntios queriam contribuir para a revelação bíblica com suas línguas estranhas (pois era a forma de 'revelação' mais comum em sua cultura) mas Paulo lhes diz que "quando vier o que é perfeito, então o que é em parte será aniquilado". Quando os escritos bíblicos após a morte dos apóstolos foram registrados e reconhecidos pela igreja primitiva chegou-se à perfeição da escritura neotestamentária e, portanto, a igreja deveria também chegar à maturidade de valorizar a Escritura e não as experiências misticas que aniquilavam-se. Quando Paulo diz em 1Co 13:12 "agora vemos como por espelho, em enigma, mas então veremos face a face" ele não está se referindo a uma visão das coisas espirituais na terra e outra no céu como querem alguns. É necessário saber como era um espelho nos tempos bíblicos para entender essa comparação. Paulo compara a percepção nublada e imperfeita dos espelhos de metal com reflexo distorcido da época com a percepção clara de quem vê outra pessoa "cara a cara", isto é, à sua frente sob curta distância em plena luz do dia. Isso aplica-se a uma revelação fragmentada dos tempos de Paulo em contraste com a Revelação concluída e completa sem fragmentação e sem erro. Ao dizer "conhecerei plenamente, como também sou plenamente conhecido" reafirma a comparação anterior. Quanto a permanecer "a fé, a esperança, o amor, estes três; mas o maior destes é o amor" deixa implícito que refere-se ao tempo em que a igreja está sobre a terra onde as "profecias, línguas e ciência" estão aniquiladas, mas que a fé, a esperança e o amor sobrevivem a elas. O amor ainda sobreviverá à fé e esperança eternamente. Ninguém terá fé e esperança no céu pois já será fato consumado, mas o amor é essência eterna de Deus. Estes são argumentos que uso para embasar o ensino de que estes versículos não podem ser distorcidos para justificar a glossolalia ou qualquer profecia ou pretensa unção especial. Na verdade estes versículos demonstram que devemos nos dedicar ao estudo e meditação do Novo Testamento sem contaminação por misticismos estranhos à sã doutrina cristã.