26/03/2009

Guerra de Mídia ou Astúcia Infernal?

As igrejas neopentecostais são famosíssimas por seu poderio econômico. Muito desse poderio foi conseguido pela sacação de que o setor que exerce maior influência na sociedade é a mídia massificada. Criaram sua própria mídia após muita experiência fazendo programas independentes e se tornaram ameaça a muitos que participam do mercado tradicional na mídia nacional. Isso tem gerado uma troca de acusações e de pesquisas contraditórias que fazem apologia ora de um ora de outro elemento deste cabo de guerra. Não sou simpatizante de igrejas neopentecostais, sequer as considero como igrejas, pois não estudam a Bíblia em seus cultos, ou quando o fazem, enfatizam seus objetivos marketeiros ou motivacionais e muito pouco, até quase nada, os ensinamentos realmente contidos na Bíblia. Porém não quero me ater às falhas teológicas dessas pretensas igrejas, mas ao fato da aparente e anunciada Guerra de Mídia que se desenrola por conquista de espaço comercial e consequente influência política. Nessa guerra o interesse pela pregação do Evangelho é fato de interesse irelevante para ambas as partes. Porém vejo uma explicação para a aparente queda de audiência das emissoras seculares e as seculo-clericais (termo nosso). Por mais que enfatizem o lado financeiro as igrejas neopentecostais ainda posam de pregadoras do Evangelho, dos valores cristãos, valores de família e da sociedade equilibrada pelo temor a Deus que transferem meio osmóticamente à sua imprensa. Os veículos de mídia secular, ao contrário, são claramente contrários a esses valores. Por mais que a sociedade esteja pervertida os valores cristãos ainda são relevantes e, resumindo, penso que por isso a Mídia Neopentecostal ganha a disputa. A sociedade tem consciencia que é incomodada pelo Espírito Santo, embora resistam insistentemente contra Ele. Note a astúcia infernal: se o evangelho é a Boa Notícia da Salvação em Jesus, a forma mais sutil de tentar destruir a Mensagem Bíblica é torna-la uma mensagem comercial. Não devemos ter nenhuma alegria em ver a mídia evangélica crescendo dessa maneira. A nossa mídia deveria voltar-se ao estudo Bíblico e pregação como era, tempos atrás. No Rio de Janeiro ligava-se em rádios que alugavam horários, e a qualquer hora se ouvia pregações de Salvação, embora os neopentecostais já se insinuassem e ganhassem espaço comprando pouco a pouco cada tempo acessível à pregação do evangelho, inflacionando os preços, até que as rádios tivessem apenas tais igrejas como clientes e não restasse outra alternativa senão, vendê-la a quem já as possuia, na prática. Todo bom comerciante sabe que depender de um só cliente é perigoso demais. A “Boa Nova” ou “Boa Notícia” do Evangelho está se tornando o mote de reclames mercantilistas. Mesmo o interesse por valores evangélicos pode se tornar uma isca para os incautos. Acerca disso o pastor, professor de seminários e na minha opinião ótimo teólogo, Dalton de Souza Lima, costuma dizer que “a verdade só é verdade se for pura; a verdade misturada com mentira é somente mentira”. Não sei de onde o Pr Dalton tirou isso, mas é real. É necessário que o povo de Deus, que preza pela genuína pregação e anúncio do Evangelho, esteja atento a tais ameaças para que não banalizemos nossa pregação pessoal. A Palavra de Deus, entretanto, por mais que tentem, não pode ser banalizada, pois permanece para sempre.