02/03/2009

"Cumbuca que socou pimenta"

foto: Evelyn Köster "Cumbuca que socou pimenta nunca perde o ardor". É um ditado engraçado e antigo colhido entre os mais velhos da família. Tem uma explicação lógica para quem não sabe o que "socar pimenta na cumbuca": há algumas décadas, quando não havia liquidificador, tudo era moido em pilões cujo tamanho dependia da quantidade de produto a ser processado, um tipo de pilão pequeno também era chamado de cumbuca, geralmente feito de madeira. Se socasse pimenta na cumbuca, ficava imprestável para outro tipo de ingrediente pois o ardor da pimenta penetrava na madeira e não tinha sabão ou fórmula caseira que tirasse. Assim como este utensilho já antigo, muitas pessoas guardam o ardor de coisas que as feriram e que impregnaram sua alma com a mágoa. Geralmente não sabemos nem o porque da mágoa, apenas a sentimos e até orientamos nossa vida por ela. Lameque, descendente de Caim, foi um exemplo disso pois vemos em Gênesis 4.23-24 que "Disse Lameque a suas mulheres: Ada e Zila, ouvi a minha voz; escutai, mulheres de Lameque, as minhas palavras; pois matei um homem por me ferir, e um mancebo por me pisar. Se Caim há de ser vingado sete vezes, com certeza Lameque o será setenta e sete vezes". A mágoa, a raiva, o ódio queima como pimenta no coração e se multiplica, Lameque não se arrependeu e seguiu o caminho de Caim, aumentando seu rastro de morte. Se Lameque ouvisse a voz de Deus, ele teria vivido de forma semelhante ao conselho de Cristo a Pedro, orientando que o perdão deve sempre exceder o pecado em "até setenta vezes sete" (Mateus 18.22), significando que este deve ser infinito. Quanto de nossa vida seria melhor se jogássemos fora a cumbuca velha, estragada pelo pecado, e vivessemos uma vida diferente, transformada? Os antigos não tinham como tirar o ardor da pimenta da madeira, mas Deus faz o impossível para o homem, transforma almas amargas em vidas que produzem alegria quando reconhecem seus pecados, arrependem-se e aceitam a Jesus como Salvador. Se já fizemos a escolha de viver com Jesus, sejamos coerentes com isso, senão, o tempo para aceitá-lo é hoje pois só o agora nos pertence, e o amanhã pode ou não estar em nossas mãos.