24/03/2009

Cristianismo de Condenação?

foto: Richard Simpson - obra incompleta de Michelângelo representando um escravo. O Apóstolo Paulo sempre foi um defensor do suportar ao próximo e da humildade. Logo ele que pertencera à mais vaidosa seita judaica fazia afirmações tão avançadas para sua época que mesmo hoje muitos ainda não entendem pois são ensinos que só podem ser compreendidos se deixarmos o Espírito Santo agir em nosso coração. Paulo ressalta que o homem é “inescusável”, quando julga, porque se condena ao acusar o outro que é tão pecador quanto ele (Rom 2.1). Julgar aqui não é somente no sentido de avaliar, mas é no sentido de condenação por julgamento, conforme mostra a palavra usada no texto original em grego. Algumas pessoas pensam que não podemos julgar qualquer pessoa por ser pecado, é um engano, pois o que a bíblia proíbe é julgar para condenar e não para fazer uma avaliação da realidade. Imagine se deixássemos de avaliar/julgar qualquer pessoa ao fazer um negócio ou estabelecer alianças para toda vida, seria um desastre. Se avaliássemos apenas e não condenássemos as pessoas nosso testemunho seria bem melhor, pois mostraríamos como somos servos de Deus. O servo de Deus avalia/julga uma pessoa para resgata-la do pecado, ajuda-la a se erguer de terríveis situações em que se encontram e não para condena-las pois tais pessoas já estão condenadas por seus atos. É Deus o justo juiz e não nós. Fomos chamados para resgatar, pregar, ensinar o Evangelho, e não para chutar pessoas no abismo. Assim como aqueles a quem Paulo se dirigia, às vezes agimos em nossas igrejas. Somos legalistas como fariseus que não estendem a mão para ajudar mas para afundar ainda mais o próximo num charco de lodo. Paulo pergunta se agindo dessa forma pensamos que escaparemos “ao juízo de Deus”? (Rom 2.3) Não que Paulo insinuasse que perderíamos a Salvação ao fazer isso mas que aqueles que agem assim, nunca foram salvos pois não têm alegria em levar a Salvação que não experimentaram a outros, antes levam a condenação que carregam sobre si. Quantos em nossas igrejas se gabam do respeito alcançado na congregação mas parece que não experimentaram a Salvação quando usam tal respeito para conduzir irmãos em Cristo à condenação de seu grupo, às vezes, pessoal? Se os que se entregam à carne sem arrependimento já estão condenados, porque os condenamos de novo? Não temos nem poder para isso, só Deus pode fazê-lo. Há uma diferença entre condenar pessoas e não compactuar com seus erros. Ao se excluir uma pessoa do Rol de Membros de uma Igreja Batista alguns pensam, numa interpretação errônea, preconceituosa e incoerente, que há uma condenação. Não é isto. Na verdade exclui-se a pessoa que não participa da mesma forma de vida atribuída ao grupo que se reúne para viver de maneira específica, isto é conforme interpretamos a Palavra de Deus. A própria pessoa já se exclui do grupo ao afastar-se dele ou a agir em contradição com o mesmo. As exclusões em Assembléias das igrejas devem ser apenas o registro administrativo de que uma pessoa escolheu outras associações e que não pactua mais com o mesmo viver em Cristo daquela igreja. O escândalo de alguns quanto à exclusão é herança da excomunhão da igreja romana que ao impedir que os excomungados participem dos sacramentos católicos, os expõe a uma condenação espiritual, pois para eles os sacramentos são necessários à Salvação. Para os Batistas não há sacramento, portanto ninguém perde a Salvação por exclusão, temos apenas o Batismo e a Ceia como ordenanças de testemunho e de memorial da obra de Jesus em nossas vidas. O ladrão na cruz ao lado de Jesus foi salvo, mas não foi batizado nem participou da ceia. Vamos fugir dessa tendência à condenação. Fiquei muito triste ao ver uma irmã em outra igreja ser admoestada por ter falado o nome do ex-pastor daquela congregação em púlpito. Talvez estejamos julgando para condenar e não para avaliar como alcançar aquela pessoa com o perdão e a graça de Deus. Não podemos viver um cristianismo de condenação, pois é um paradoxo; mas de amor, resignação, perdão e Salvação; senão nossa pregação será vazia e só manterá conosco às pessoas que estão atrás das mesmas grades, da mesma prisão.