26/02/2009

Submissão feminina aos homens

1Co 11:10 Portanto, a mulher deve trazer sobre a cabeça um sinal de submissão, por causa dos anjos. Um pensamento que ronda algumas cabeças no meio religioso é a submissão da mulher ao homem. É verdade que Deus definiu que a mulher deve submeter-se a seu marido, mas não a todos os homens. Tal ordem foi dada por Deus após o pecado no Édem (Gn.3.16), antes disso marido e mulher desfrutavam de ampla igualdade pois há citação da criação de ambos definindo-lhes o mesmo direito de domínio sobre a criação e a mesma responsabilidade no cuidado com a criação de Deus (Gn. 1.27-29). Pode-se gerar alguma confusão no entendimento da narrativa da criação, pois ela não é exatamente linear como esperamos em nossa cultura ocidental, narrando em Genesis 1 e 2 fatos de forma não cronológica, chegando-se a encontrar mesmo duas narrativas que se completam mas que não se contradizem. Quando Deus criou a mulher idônea para viver com o homem, significa que foi criada com a mesma honra, autoridade e caráter de Adão (Strong H8034), a pena pelo pecado restringiu apenas a questão da autoridade em âmbito familiar, mas os homens criaram novas restrições pelo próprio pecado que buscavam incessantemente. O texto de 1Coríntios 11.10, transcrito acima, é muito usado pelos adeptos do pecado machista (assim como feminismo é pecado também). Alegam que ali refere-se a submissão da mulher aos homens e que ela não pode “liderar” ou exercer alguns cargos na igreja, o que não condiz com a Palavra de Deus, pois ninguém “lidera na igreja”, na verdade os verdadeiros cristãos SERVEM NA IGREJA. Confundir serviço com liderança é uma das razões da restrição da ação feminina na igreja. Talvez você argumente: “Mas o texto diz claramente que a mulher deve trazer sinal de submissão!” Quer entender isso? Entenda o contexto da época. Corinto era a cidade onde era mais forte o culto a Afrodite, a deusa Greco-romana do sexo. Milhares de prostitutas se ofereciam como culto a esta deusa perversa, estas eram marcadas pela cabeça descoberta ou até rapada, ao passo que as mulheres que não se submetiam a esse culto depreciador utilizavam o véu como sinal de ser mulher de família honesta. A promiscuidade era tão difundida em Corinto que “corintianizar” era um termo comum para definir o ato de prostituir-se. Quando Paulo pede às mulheres que usem véu o faz no sentido de que se vistam com a decência que sua própria cultura conferia e não de forma que fossem confundidas com prostitutas. Isso serve para os nossos dias: a prostituição está tão disseminada que as mulheres cristãs devem vestir-se de forma decente conforme nossa cultura atual. O véu era apenas uma peça de vestuário pertencente a uma cultura com um significado cultural e não espiritual. Absurdo é dizer que os anjos seduziriam as mulheres que não usam véu, mas pasmem, há quem diga isso. Analisando o contexto e o idioma da escrita original, vemos que anjo, aqui, não se refere a seres espirituais, mas aos próprios homens (Stong G32). Anjo é reescrita de uma palavra grega que significa “mensageiro”, por implicação entendida aos pastores e outros servos da igreja, como nas cartas às sete igrejas em Apocalipse 3. Usar véu significava que tinham compromisso matrimonial, a dita submissão. Muitos pregadores como o próprio Paulo eram pregadores itinerantes nas igrejas, alguns destes eram solteiros, o véu advertia sobre a situação de casadas dessas mulheres e prevenindo possíveis propostas de casamento por engano, que causariam terrível constrangimento, e mesmo da sedução e promiscuidade comuns naquela cidade. Ao dizer também que homens não deveriam cobrir a cabeça ao orar, mostra que eles não deveriam se confundir com mulheres numa alusão ao homossexualismo que também era comum naquela cultura. Paulo usa linguagem e argumentos que os coríntios podiam entender, por isso é necessário contextualizarmos suas palavras à época e local em que escreveu para que possamos entender esta passagem. Concluímos que usar estes textos bíblicos como justificativa machista é impróprio e contrário ao sentimento de igualdade, respeito e democracia (princípio dos Batistas e Congregacionais) que deve reinar em uma igreja cristã.