28/02/2009

Quem eram os filhos de Deus em Gênesis 6 ?

De Meus Desenhos
Há uma controvérsia incoerente quanto a quem seriam os “filhos de Deus” em Gênesis 6.1 que está voltando em forma de Modismo Teológico. Muitos, entre eles hereges, dizem que os filhos de Deus eram anjos, seres celestiais. Uma observação coerente do texto nos mostra que não é assim. Os “filhos de Deus” eram os descendentes de Sete, como veremos. O termo “filho” usado neste texto em hebraico, é mais amplo do que o sentido de ascendência paterna, pois envolve também a qualidade ou condição de neto, súdito ou nação, conforme nos informa a Concordância Exaustiva do Hebraico Bíblico de Strong. Ao matar Abel, Caim deu origem a uma geração de pessoas que buscavam o mal, como podemos constatar nas palavras de Lameque seu descendente: “Disse Lameque a suas mulheres: Ada e Zila, ouvi a minha voz; escutai, mulheres de Lameque, as minhas palavras; pois matei um homem por me ferir, e um mancebo por me pisar. Se Caim há de ser vingado sete vezes, com certeza Lameque o será setenta e sete vezes” Gênesis 4.23-24. Após a morte de Abel nasceu Sete, um filho de Adão e Eva, ao que tudo indica foi orientado nos caminhos de Deus, pois narra Gênesis 4.26: “A Sete também nasceu um filho, a quem pôs o nome de Enos. Foi nesse tempo, que os homens começaram a invocar o nome do Senhor”, note que a geração de Sete adorava a Deus e que a genealogia de Adão segue a partir de Sete como verificamos em Gênesis 5, a genealogia de Caim foi citada em separado pois era uma geração de pessoas que desobedeciam a Deus, uma geração ímpia que não se submetia ao Plano de Salvação de Deus. O que o Plano de Salvação têm com isso? O Plano de Salvação foi preparado por Deus desde, ou antes de, Gênesis 3.15, no momento da sentença pelo pecado de Adão e Eva prometendo que da descendência da mulher viria o Salvador. É interessante o detalhe que as palavras de júbilo pelos nascimentos são proferidas por Eva o que já denota a expectativa do Salvador em Genesis 4.1 e 25. O Plano de Salvação passou pelas gerações piedosas desde Adão (Gn. 5), Sete (Gn. 11.10-32), Abraão até Cristo (Mt. 1.1-17). No tempo de Noé, existiam ambas as descendências de Caim, conforme a carne humana e pecaminosa (filhos dos homens), e a descendência de Sete, conforme a piedade de Deus para seu Plano de Salvação (filhos de Deus). Ao aliar-se por casamento com os filhos dos homens os filhos de Deus se corromperam pelo pecado compartilhado e aprendido, restando apenas Noé como justo que após o dilúvio, deu prosseguimento ao Plano de Deus através de sua geração como vemos nas genealogias citadas acima. Citar o texto de Jó 38.7 como justificativa para uma interpretação de que os anjos são os filhos de Deus é ignorância bíblica. O versículo faz parte de uma série de perguntas retóricas que Deus faz a Jó, isto é, perguntas que não eram para ser respondidas, pois não seria possível responder, foram usadas como figura de linguagem não como mandamento. Um princípio de lógica diz que perguntas são diferentes de ordens e de argumentos, elas não são para ser cumpridas e não são uma resposta em si, usar perguntas para estabelecer doutrina é temerário senão leviano. Destaco também que o livro de Jó é um livro poético, portanto tem uma linguagem menos definida do que outros livros das Escrituras, não podendo ser usado para estabelecer doutrinas, mas apenas para reforçar doutrinas, coisa que como vimos não é o caso. Portanto é absurdo dizer que os filhos desses relacionamentos são de anjos encarnados com mulheres humanas, seres híbridos abomináveis como diz o herege Eli Soriano. A Bíblia não diz que pessoas são abomináveis por sua genética, mas pelos seus pecados. São doutrinas como essas que geram preconceitos. Pensar que anjos podem ter corpos físicos não tem base bíblica, mas sim pagã e mística, é defraudação do evangelho. Na bruxaria genérica européia há a figura dos Sucubus e Incubus que eram demônios que se materializavam para seduzir homens e mulheres fecundando e amaldiçoando os incautos, assim como na mitologia indígena brasileira há a figura do Boto que vira um homem com o mesmo intento, portanto a origem dessa teoria é anti-cristã. Tomemos cuidado com doutrinas heréticas que se embasam em interpretações fantasiosas da Bíblia, e vivamos como verdadeiros filhos de Deus transformados pela fé em Cristo Jesus.