04/02/2009

Considerações sobre ensino Bíblico

Algumas pessoas não gostam de uma postura dialógica no estudo bíblico, mas eu gosto. Talvez a aversão de alguns a tal postura se deva a impregnação de conceitos comunistas e ateus que se dizem fundadores de tal método, coisa que de fato é uma grande mentira, pois desde Sócrates já se ensaiava algo parecido através do “parto de idéias” ou maiêutica, pratica desse filósofo, onde procurava através de perguntas lógica e seqüencialmente propostas fazer com que as pessoas refletissem sobre uma idéia tirando conclusões em busca da verdade filosófica. Dizer que Sócrates era comunista é anacrônico além de que Sócrates enfatizava a Verdade, ao passo que ateus e comunistas são maquiavélicos, visam apenas seus objetivos e a Verdade para eles não existe.

Porque cito Sócrates e ensino dialógico? Porque não é Paulo Freire nosso exemplo, mas sim Cristo, e o método de Sócrates, parecia com a pedagogia de Jesus séculos antes de qualquer idéia marxista.

Jesus ensinava a verdade pois Ele era a Verdade e, para isso usava diálogos que às vezes eram desconcertantes para seus adversários, e encantadores para seus discípulos. Jesus também fazia longos sermões, que chamamos também de estratégia de ensino por preleção.

Em algum momento desistimos do método dialógico ensinado e usado por Cristo, como por exemplo no diálogo com a mulher samaritana em João 4, para dar lugar a uma preleção professoral, talvez embalado por modelos científicos que valorizavam esse tipo de prática. Logo, marxistas e ateus, se apropriaram de nossa forma de ensinar as Escrituras, e nós a entregamos de bandeja, talvez porque alguns líderes enxergassem vantagens em falar sem ser interrompidos.

Admito que é difícil fazer com que muitos professores de Escola Dominical, ainda hoje, entendam que uma boa aula não é aquela em que mais se passa conteúdo mas a que se aplica à vida discorrendo sobre os fatos vividos à luz da Bíblia.

É necessário para mudar essa realidade reconhecer que há duas coisas que motivam o melhor método pedagógico-cristão como nos ensina os Dez Mandamentos. Todas nossas atitudes baseiam-se em Honra e Desejo.

Honra, porque os Dez Mandamentos centram seu discurso em honrar a Deus, ao cônjuge, e ao próximo. Se não honramos, isto é, valorizamos, respeitamos uma pessoa, podemos mentir para ela, matar, adulterar, roubar e tudo mais. Quando honramos alguém potencializamos a realização de coisas boas. Aí entra também o Desejo. Se a honra potencializa coisas boas, nossos desejos não podem ser desculpa para quebrar os mandamentos. Quem quebra de forma inveterada os Mandamentos não honra a Deus e ao próximo.

Jesus definiu isso claramente em uma só palavra: amor. O amor é a solução para um diálogo sadio e construtivo, pois somente amando somos capazes de ter “pensamentos bons” sobre os outros e aceitar a “renúncia” do que desejamos se isso for produzir o que há de melhor para o corpo de Cristo, para a família e para as pessoas com quem convivemos. Leia 1 Coríntios 13.

Isso é essencialmente dialógico. Tal idéia surgiu a uns domingos atrás, de forma diferente claro, em nossa classe de EBD quando decidimos discutir mais pessoalmente o assunto do que nos ater a uma revista cheia de “gregos e hebraicos” editada por uma de nossas convenções. Se ficássemos nos “gregos e hebraicos” do autor a aula não seria tão rica e estaríamos sem saber o que o texto bíblico dizia e sem aprender com o que os irmãos tinham a ensinar mutuamente através da mediação dialógica cristã.

Tirei duas lições hoje na escola dominical:

- Que todos tem algo para ensinar se não colocamos barreiras à sua explicação do texto bíblico, embora seja claro que um ajuste aqui e ali é bem vindo e até necessário por parte do professor sem fazer com que as pessoas tenham medo de se expressar sobre o texto sagrado.

- Que alguns mestres e doutores da denominação Batista, precisam ser menos eruditos e aproximarem-se mais do povo como Jesus fazia.

Observe que não estou generalizando, como alguns fazem, até porque sou a favor do uso de literatura de apoio na Escola Dominical, e considero que há excelentes comentaristas que devem ter seu trabalho muito valorizado, estou apenas constatando uma tendência de afastamento da Bíblia e excessiva dependencia das revistas que são para apoio e não a literatura principal, para que possamos recuperar nossa forma de ensinar, compartilhada entre os irmãos. Afinal os bons comentaristas não pretendem que seu texto seja o principal, mas a Bíblia em si. Que Deus nos abençoe em cada momento de estudo e devoção que tivermos com a igreja e que saibamos escolher e usar da melhor forma tudo o que temos à disposição.