09/02/2009

Abortar anencefalos ou abortar a igreja?

Num “especial” sobre o aborto, que de especial não tem nada, o Jornal do Brasil publicou hoje as conclusões de uma “mesa redonda” (os caras gostam desses termos, dá um ar de elite) formada por ativistas, cientistas e juristas pró aborto. A proposta da tal mesa redonda é descriminalizar a prática do aborto para qualquer caso, tenha a criança saúde ou não. Usam como desculpa o caso da anencefalia que é uma má formação congênita onde a criança nasce sem condições de vida, e descrevem, repetindo informações, em várias linhas, colunas e gráficos, sobre como a anencefalia justificaria o aborto. Apenas três míseras linhas, de uma coluna obscura, deixa claro que defendem o aborto em qualquer caso, mesmo que a criança tenha total condição natural de vida, e não dão qualquer justificativa plausível para isso. Há várias incoerências no texto e é de admirar que pessoas tão instruídas tenham construído uma colcha de retalhos que parece um Frank Stein ilógico. Vejamos alguns argumentos absurdos e incoerentes da matéria: “A criminalização é ‘hipócrita e mentirosa’ pois as mulheres não abandonam a prática do aborto pela criminalização” – Argumento fraquíssimo pois o assassinato também é crime e mesmo assim há pessoas que o praticam. Imagine se usássemos a mesma linha de raciocínio para tudo – discriminalizar algo só porque as pessoas insistem em fazer mesmo proibido - teríamos que descriminalizar o assassinato e outros crimes e entraríamos na barbárie. Quanto a tratar a mulher como criminosa, na verdade, ninguém precisa condená-la, pois ela mesma já se condenou a viver com essa carga, portanto, talvez não seja ético criminalizar e aprisionar essas mulheres, mas tratar e educar para uma sexualidade sadia. Mas a opção que oferecem à criminalização é menos ética ainda: matar um inocente só por que “aborto é uma opção da mulher”. Engraçado, não é ético criminalizar alguém que tem consciência de seus atos, mas é ético matar crianças para os defensores do aborto. No campo ético apelam de forma sensacionalista a anencefalia, que é a gestação de um feto sem vida. Dizem que é “tortura” fazer com que o ventre de uma mulher seja o túmulo de um natimorto por nove meses, mas não consideram tortura, o fato de uma mulher viver o resto de sua vida sabendo que assassinou seu próprio filho. Na verdade isto prova a hipocrisia destes homens bem como o que poderíamos chamar de “acardia espiritual”. Acardia também é uma deformação congênita que faz com que um feto nasça sem coração. Todos os vivos e ativos tem corações de carne, mas precisamos ter corações espirituais que se compadeçam dos inocentes e valorizem a nossa vida e a dos outros, independente de qualquer “direito”. Interessante que mesmo sendo também a favor do divórcio alegam que filhos deficientes aumentam o índice de separação entre os casais. Ora, se defendem o divórcio, não deveriam utilizar este argumento. Dizem também que pesquisas mostram que a maioria dos abortos é feito por mães responsáveis. Resta saber, pois não informam, como esta pesquisa avaliou o senso de responsabilidade dessas mulheres visto que isto é algo subjetivo, isto é, alguém pode se julgar responsável sem ser, mesmo que seja casada, trabalhadora etc. Há ainda a ameaça anti democrática do Estado anti-religioso, que disfarçam com a alcunha de “Estado laico”. Dizem que as religiões não devem interferir na formação das leis, mas sim a “moral secular, e os argumentos científicos e jurídicos”. Até os exemplos dados para tentar confirmar isso contrariam tal idéia: - Dizem que não havia sensibilidade aos direitos da mulher em meados do século passado, que permitiu-se o aborto apenas em caso de estupro por preocupações particulares com o que nasceria daquela fecundação criminosa. Não dizem que estas preocupações estavam embasadas, também, em teorias “científicas” preconceituosas que grassaram após a segunda Guerra Mundial como um legado do nazismo sobre o que Julio Severo escreve um artigo esclarecedor que aconselho a leitura (me refiro especialmente a partir da página 27). É essa ciência que defende o aborto? - Alegam maior sensibilidade aos direitos da mulher no mundo contemporâneo, o que na verdade não existe, valorizam é sua utilidade como instrumento da indústria sexual. A mídia em todas as suas formas, laboratórios com seus remédios milagrosos, a moda mundana e o turismo sexual que é reprimido pelo poder público, mas ao mesmo tempo incentivado pela imagem que é vendida ao mundo da mulher brasileira são exemplos dessa indústria que não deseja uma educação sexual sadia, mas sim um incentivo ao exagero para que aumentem seus lucros. Podemos citar também que não faltariam interessados em estabelecer clinicas de aborto, para remover os “inconvenientes bebês”, gerados por esta cultura sexual irresponsável. Essa é a Moral Secular de que falam? - Quanto aos argumentos jurídicos, na mesma matéria dizem que foram usados eletro encefalogramas como prova em um tribunal a favor do aborto, mas ao mesmo tempo dizem que prontuários médicos não são prova para tipificar o crime de aborto. Dois pesos e duas medidas: Eletrocardiograma PODE, mas Prontuário NÃO PODE. Será que são estes os decantados argumentos jurídicos, com suas jurisprudências contraditórias, que os defensores do aborto querem que aceitemos? Não entrar em argumentações religiosas em decisões políticas não é laicato é anti-religião, ou melhor, anti-cristianismo, pois os cristãos são os que mais incomodam. Dizem que os religiosos devem participar da discussão, mas querem limitar sua liberdade de expressão insinuando que sua influencia deve ser minimizada. Um Estado laico significa um ente com imparcialidade religiosa, colocar religiosos em status inferior na discussão dos assuntos do país é ser parcial contra a religião, portanto não é sinônimo de Estado Laico. A igreja não deve comandar o Estado como aconteceu no passado e, aliás, foram os próprios cristãos os primeiros a lutar contra isso, mas não podemos permitir que excluam a igreja das decisões de nosso povo, só porque nossa opinião, e nossa fé, tem sido inconveniente para muita gente. Será que vão querer abortar a igreja também?