04/11/2008

Qual é a sua geração?

Mat 1:17 De sorte que todas as gerações, desde Abraão até Davi, são catorze gerações; e desde Davi até a deportação para Babilônia, catorze gerações; e desde a deportação para Babilônia até o Cristo, catorze gerações.

Há coisas nas escrituras que nos deixam curiosos. “A repetição do termo 'catorze gerações' deve simbolizar alguma coisa”, pensei eu, e pus-me a procurar respostas em comentários o que resultou em respostas bastante interessantes. As catorze gerações não foram citadas de forma completa, faltaram inclusive alguns reis a citar na genealogia de Jesus, algo que pode parecer estranho em se tratando de um texto que tinha objetivo de provar a realeza de Cristo, ainda mais deixando reis de fora e inserindo mulheres estrangeiras na genealogia o que não era uma prática comum entre os semitas, na cultura antiga um rei também não podia trabalhar como artífice, mas José e consequentemente Jesus, era carpinteiro. O que pode significar tanta coisa aparentemente incoerente aos olhos carnais, qual é o sentido espiritual disso tudo? Vejamos. Entre os judeus era comum um jogo de enigmas onde se dizia um número e tentava-se decifrar o nome que aquele número simbolizava, lembremos que os números eram representados por letras como os algarismos romanos, além disso no hebraico não existem vogais podendo um número representar perfeitamente o nome de alguém. Vamos a um exemplo com números romanos só para esclarecer, imagine que eu lhe diga que o nome de determinada pessoa é 1150, se este número é representado por MCL em algarismos romanos logo a resposta ao enigma poderia ser MarCeLo. Como vê é um jogo muito simples e também era popular e usado em literatura apocalíptica da época, o próprio apocalipse de João destaca o 666 que em hebraico poderia ser o nome do imperador romano NERO. Supõe-se que Mateus usou desse artifício simbólico para dar maior ênfase a realeza de Cristo, visto que DAVI também poderia ser simbolizado pelo número 14, e a falha na lista das gerações pode ser explicada pelo fato de que Mateus queria dar um apanhado da história espiritual do povo de Deus, de Abraão a Davi foi seu crescimento e ápice, de Davi à deportação foi a vergonha e a punição por seus pecados, da saída do cativeiro até Cristo representa a liberdade oferecida por Deus. Mateus não queria que ninguém se gloriasse mas que reconhecessem sua pecaminosidade e necessidade de Salvação em Cristo. Mateus preocupou-se em mostrar a realeza de Jesus pois o Messias deve ser descendente de Davi e de Abraão mas, ao mesmo tempo, mostra que há algo diferente nessa genealogia de um novo começo onde mulheres estrangeiras são igualadas a patriarcas, onde os desprezados encontram lugar no povo de Deus, pois os judeus desprezavam a estrangeiros e às mulheres. Outra forma simbólica e real de mostrar a inclusão que Jesus faz de todos no reino de Deus é o fato dele ser carpinteiro, isto é trabalhava com as mãos, que numa cultura helenizada era comparado ao trabalho de um escravo e não de um rei ou homem livre. Entendendo a genealogia de Jesus como um novo Gênesis, vemos que todos podem estar inscritos no reino de Deus, fazer parte da família de Cristo, sem nenhuma discriminação pois todos somos pecadores, o importante mesmo é nos arrependermos de nossos pecados e fazer a vontade de Deus. Quer fazer parte da família de Deus? Jesus abriu a porta para sermos reis e sacerdotes. É só segui-lo e viver para sempre, pois mesmo que você possa ser esquecido por todos nunca será esquecido como eleito de Deus no livro da Vida.