05/11/2008

A linhagem divina de Cristo

Na última postagem falamos sobre a genealogia de Jesus através de José como pai adotivo, embora haja algumas dificuldades neste relato, a solução é menos controversa do que a narrativa da concepção de Jesus. O Messias prometido deveria ser Deus e homem ao mesmo tempo. Ser concebido pelos homens não era um tabu para os judeus pois Maria demonstra que tinha uma educação sexual sadia, ao argumentar com o anjo que era virgem e não poderia estar grávida, ao contrário do que era ensinado mesmo no Brasil a algumas décadas onde se ensinava que segurar na mão ou sentar ao lado de um rapaz engravidaria uma moça. Os conceitos do mundo pós-moderno são mais libertinos, mas continuam sendo conceitos meramente humanos justificados pelo desejo, prazer e egoísmo. Interessante é notar que a educação sexual dada ao povo de Deus não conduzia à promiscuidade ao passo que a sexualidade sob ponto de vista mundano conduz a padrões degenerados de comportamento.

Essa degeneração da sexualidade torna, para muitos, incompreensível a narrativa simples porem inusitada, da concepção de Cristo. O interessante que a dificuldade não está em crer mas em aceitar a santidade na concepção pois os homens hodiernos a têm este ato como pecaminoso, alguns até consideram o sexo como pecado original. Creio que um dos motivos para a concepção de Jesus ter sido assim, além do fato de considerar sua natureza divina, é defrontar nossa pecaminosidade quando cremos em Cristo. Deus nos convida a ir contra muitas coisas que nos deixam impregnados, vamos lista-las:

Somos impregnados pelo desejo de valorizar nossos direitos acima da misericórdia. José tinha direito de acusar Maria e leva-la ao apedrejamento por adultério, pois o noivado era um compromisso tão sério quanto o casamento para os judeus. Mas José não agiu assim, preocupou-se com Maria apesar de seu aparente direito de esposo. Ele quis preserva-la ao invés de condena-la ao juízo dos homens. Como é difícil fazer isso! Queremos condenar a quem não nos agrada, pois é nosso “direito” de agir assim. Às vezes somos vítimas de pessoas que se julgam com direitos sobre nós de julgar e punir. Podemos ser vítimas e algozes mas devemos observar o exemplo de José valorizando a misericórdia acima do juízo.

Somos impregnados também pelo medo de tomar decisões corretas para manter as conveniências. Decisões corretas são sempre inconvenientes. Aceitar a paternidade adotiva de Jesus não foi conveniente para José, ao contrário poderia ser até um motivo de rancor e discórdia no lar, mas José não agiu assim porque era justo. Preocupava-se mais em cumprir a Palavra de Deus e viver em Obediência a Ele. Quantas decisões adiamos por serem inconvenientes seus efeitos ou por que tentamos dar um jeitinho? Decisões baseadas na Palavra de Deus devem ser tomadas sem medo, pois Deus cuidará de nós e cumprirá o prometido. Para ter certeza que uma decisão é baseada na Palavra de Deus devemos ver seu precedente ou exemplo na Bíblia, abrindo mão de conveniências, como a galeria de heróis da fé de Hebreus 11, e os primeiros cristãos que não cediam as pressões do mundo que tenta até hoje calar nossa pregação e até mesmo ridicularizar nossa fé. Não devemos nos submeter ao preconceito, mas mudar o rumo das coisas através de nossa fé em Deus, mesmo que seja inconveniente.

Crer no nascimento virginal de Cristo é libertar-se dos conceitos pecaminosos de decisões que desrespeitem a Deus e á misericórdia. Deus não disse que isso seria fácil. Muito menos disse que seria conveniente. Deus o abençoe!