16/10/2008

Tatuagem, piercing e idolatria.

1Co 11:16 Mas, se alguém quiser ser contencioso, nós não temos tal costume, nem tampouco as igrejas de Deus. Há muito tempo é um costume cristão manter o corpo livre de tatuagens, piercings, ou outros tipos de adereços que alterem de alguma maneira o corpo humano. A princípio pode parecer um costume sem sentido, tanto que já existem “igrejas de tatuados” e coisas assim. Especialmente os pais cristãos tem dificuldades com isso pois seus adolescentes e jovens não aceitam determinadas posições, até por que naturalmente são predispostos a contestar os costumes estabelecidos como forma de afirmação pessoal o que é necessário e saudável nessa idade. O que não podemos é ser tão radicais a ponto de dizer ao nosso filho “não pode e pronto” pois eles também são um campo missionário, o fato de nascer em uma família cristã não obriga ninguém a ser cristão, nossos descendentes devem escolher por si mesmos por servir a Deus, para isso não devemos ser radicais e impositores, mas esclarecer e educar mesmo que isso só faça sentido no mundo espiritual. Não perca seu tempo com explicações médicas ou algo assim, pois isso não justifica nossa fé, explique a lógica espiritual de nossos costumes para que seu filho possa escolher entre aceita-la ou rejeita-la pessoal, espontânea, responsável e conscientemente. Vamos à nossa explicação sobre a motivação evangélica para não usar tatuagens ou piercings que alterem drasticamente o corpo. Para falar sobre isso precisamos pensar sobre o que são símbolos e a importância de seu significado para o homem. É notório que o ser humano é um produtor e consumidor de símbolos em toda a face da terra que vão desde símbolos religiosos como a cruz, a estrela de davi, a lua crescente, e outros até símbolos de natureza comercial como coca-cola, nike, ou símbolos de natureza política como a suástica nazista, ou a estrela do PT (note-se que além do fato de serem símbolos, uma não tem nada haver com a outra). Falei de símbolos gráficos em sua maioria mas eles podem assumir várias formas como objetos, nomes, gestos, danças etc. Representar o símbolo por si só não teria nenhum problema para o cristão. Se formos ver algumas tatuagens como forma de arte ou alguns piercings pela sua beleza como jóia até nos admiraríamos com eles, como muitos se admiram. O problema está no significado que os símbolos trazem em si e o valor que damos a esse significado. Embora os símbolos possam ter significado relevante para nós eles não podem assumir o lugar de Deus. Segundo a Bíblia Sagrada nosso corpo é “templo do Espírito Santo”. É figura clara na Bíblia que um corpo preservado sem defeitos, provocados intencionalmente, é símbolo da perfeição de Deus em nós. As características do cordeiro para o sacrifício demonstram isso. Esta figura não exclui os portadores de deficiências, ao contrário, Jesus, ao cura-los, mostra aos fariseus preconceituosos que estes também recebiam o Reino de Deus. Nós, sem Cristo, precisamos da cura purificadora de nossos pecados que só aceitando-o obtemos. A pureza do que é oferecido a Deus é um dos maiores símbolos da Bíblia, se oferecemos nosso corpo a Deus como adoração, devemos oferece-lo totalmente limpo e purificado pois assim deve ser um templo de Deus. Outra coisa que devemos notar é que quando um símbolo recebe lugar de honra em um templo, ele se torna objeto de adoração. Não fazemos ídolos do que é propriamente sagrado mas do que nos atrai e satisfaz nossa necessidade de transcendência, mesmo que enganosamente. As tatuagens e piercings, via de regra, alteram nosso corpo, passam a ter lugar de destaque em “nosso templo” e com isso maculam o que deveria ser puro para que Deus habite. Não podemos dividir o templo de Deus com qualquer outra coisa, por mais importante e significativa que ela seja para nós. O corpo preservado, como templo, tem seu significado espiritual que deve ser mais importante para nós do que a beleza estética ou o significado de outros símbolos por mais agradáveis e sedutores que pareçam. É claro que essas considerações, só são válidas, para quem tem fé na Palavra de Deus, para quem não tem, são irrelevantes. Portanto, nós, que temos fé nessa Palavra Salvadora façamos o que é relevante para Deus, sem impor àqueles que escolhem outros caminhos opostos a nossa opinião, e sem criar considerações fabulosas a respeito do que seja isto ou aquilo baseado numa ciência incerta e mutável, que pode servir posteriormente como crítica a nossa apologia. E acima de tudo, oremos para que Deus nos dê sabedoria para mostrar ao mundo como é importante servi-lo, pois sem Ele a vida perde totalmente o significado por mais que tentemos enche-la de símbolos e sentidos vazios. Obs: Os brincos aceitos amplamente em nossa sociedade, são uma forma de piercing. Só que eles fazem parte de um contexto cultural que não apresenta, geralmente, ligação com simbologia, mas apenas com estética. A aliança de casamento apresenta uma relação simbólica como adorno e mesmo assim a usamos por considerá-la lembrança de um contrato de amor. Constatamos com isso que não há um radicalismo quanto aos costumes, mas sim um esforço para preservação do corpo como templo do Espírito Santo. Afinal, se não podemos abrir mão de certas coisas para servir a Deus, como podemos cobrar dele sua fidelidade? Na verdade não podemos, mas ainda assim ele é Fiel.