24/10/2008

A Sedução do Reconhecimento dos Cursos de Teologia

Há um movimento em prol do reconhecimento pelo MEC dos cursos de Teologia, que até atende a uma demanda dos formados na área que podem precisar complementar sua renda para garantir seu sustento e ministério com um emprego secular, pois na  maioria das vezes as igrejas, especialmente as que não se voltam para um foco empresarial, não podem sustentar com dignidade um pastor e sua família, mas aí esse ministro se depara com um grande problema: ele não tem profissão e não tem formação para conseguir um emprego digno que possa conciliar com o ministério pois mesmo os seminários maiores só eram considerados cursos superiores nos meios eclesiásticos. Como resultado os pastores batistas, apesar de defenderem que a igreja é soberana e que pode dispor do pastorado em assembléia quando quiser, se vêem numa situação terrível, pois após anos de pastorado não podem admitir que a igreja os afaste, ou troque, por outro pastor pois isso os condenará a penúria e ao sub-emprego. Esse é um dos grandes motivos de divisões, manipulação da igreja e outros males no meio batista. A “solução mágica” encontrada foi pedir ao MEC que reconhecesse cursos de Teologia como Cursos superiores com todas as vantagens e responsabilidades inerentes. Parece ótimo, mas será?

O que poucos falam é que a submissão ao MEC é uma submissão ao Estado, isto é, uma intervenção ou junção de Igreja e Estado, coisa que é contra o princípio Batista de “total separação entre Igreja e Estado” construído com coerência histórica e doutrinária que muitos acham “interessante repensar”. Repensar por quê? Porque os motivos financeiros são fortes? De certo são. Mas será que eles devem prevalecer sobre os princípios Batistas? Os batistas sempre foram reconhecidos por sua fidelidade doutrinária e aos seus princípios, mas estamos entrando numa sedução tão sutil que não estamos percebendo. Queremos voltar atrás e juntar forças com um Estado mundano que ao caminhar dos conceitos pedagógicos, sobre família e sexualidade por exemplo, nada impede que interfira futuramente nos ensinos teológico-cristãos? Se aceitamos como natural e como “solução mágica” o reconhecimento estaremos nos comprometendo de maneira tal com o Estado que gradualmente corremos o risco de ser mais comandados pelo MEC do que pela própria Bíblia. O MEC, embora seja uma instituição valorosa, é uma instituição secular, portanto com conceitos seculares enraizados em sua filosofia. Por quanto tempo os conceitos seculares serão condescendentes com nossa teologia, ou até, em quanto tempo esses conceitos secularizarão a Teologia Batista?

Pronto, expus um problema ético. Tem solução? Claro, manter os Seminários como instituições exclusivamente eclesiásticas sem intervenção do Estado e promover uma formação continuada ou concomitante dos seminaristas. Porque não fazer o curso de Teologia em convênio com uma faculdade onde o estudante, se forme como pastor livre de qualquer compromisso com o Estado, mas também se forme em pedagogia, letras, história ou filosofia de acordo com o que o MEC já institui a longa data, pois matérias de licenciatura, são mais coerentes com o caráter de mestre que um pastor deve ter.

Esta história de criação de “Agências Reguladoras” das igrejas Batistas tem se insinuado, sorrateiramente em nosso meio, algumas instituições que deveriam ser de cooperação denominacional estão se tornando cada vez mais, de normatização denominacional, algumas chegam ao absurdo de pedir ao Poder Público, o status de autarquia federal, isto é, órgão fiscalizador. O que me espanta é que os não cristãos valorizam mais os valores que devemos defender do que nós mesmos, pois o MEC relutou muito em conceder reconhecimento aos seminários, e ainda faz várias exigências, e o tal pedido da suposta autarquia federal de fiscalização das igrejas e pastores foi recusada pela Justiça dos homens.

Irmãos, voltemos aos nossos princípios que são muito sérios, nobres e tão desprezados por uma nova geração de pastores de si mesmos. Vamos lutar para que os Seminários continuem sendo apenas instituições eclesiásticas e para que as igrejas se conscientizem que precisam dar formação complementar, no sentido profissional, para seus seminaristas. Paremos com a hipocrisia de que só deve existir o pastorado de tempo integral, pois o próprio apóstolo Paulo é um exemplo de fazedor de tendas, ou bivocacionado como dizem alguns. Se a igreja pode sustentar alguém em tempo integral e garantir todo seu futuro após sua saída daquela igreja fique a vontade para exigir tempo integral, caso contrário, sejamos misericordiosos com nossos líderes e ofereçamos a eles a opção de servir a Deus muito mais por amor do que por necessidade.