31/10/2008

Hipocrisia: uma ameaça constante.

Mat 7:1-5 Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgais, sereis julgados; e com a medida com que medis vos medirão a vós. E por que vês o argueiro no olho do teu irmão, e não reparas na trave que está no teu olho? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu? Hipócrita! tira primeiro a trave do teu olho; e então verás bem para tirar o argueiro do olho do teu irmão.

Ainda não tinha experimentado uma afronta racista. Por ser um brasileiro de cor branca o único tipo de afronta parecida que sofri foi de alguns irmãos brasileiros de pele mais escura me chamando de “branquelo”, ou coisa parecida. Compreendo a afronta que um brasileiro negro lance contra mim, devido a carga de preconceito que ele sofre em nossa sociedade, embora nada justifique o racismo, mas ainda não tinha sido alvo de preconceito por parte de brancos nazistas estrangeiros. O pior: isso ocorreu numa sala de bate papo cristã!

Entre outras coisas fui chamado de “lixo” e de ter “subcultura”, sem nenhum motivo prévio, por um suposto irmão de uma igreja batista no sul dos Estados Unidos. Digo que era um suposto irmão, pois um cristão verdadeiro valoriza outras pessoas e não carrega esse ódio discriminante em sua vida. Mas infelizmente isso é comum no sul dos Estados Unidos, aliás, lá existem igrejas para negros e igrejas para brancos, além de ter remanescentes do famoso grupo terrorista Ku-klux-klan que matou muitas pessoas inocentes e cometeu muitos crimes em nome da preservação de uma “raça pura”. Entretanto, fomos evangelizados por estes batistas.

O texto de Mateus 7.1-5 chamou-me a atenção na leitura bíblica posterior ao insulto. “Não julgueis, para que não sejais julgados” é uma verdade incontestável, talvez o juízo temerário de alguns americanos sobre outros povos tenha atraído o terrorismo para eles, talvez todos estejam provando do “remédio” que uns poucos, espero, tinham em seus corações. Não posso generalizar que todos americanos sejam assim, pois conheço alguns que não são, e certamente os que nos evangelizaram tinham um perfil diferente. Mas me preocupa se não herdamos deles o costume de emitir juízos apressados e preconceituosos sobre os fatos e pessoas de nossa própria igreja. Será que o cisco deixado em nossos olhos por pessoas que carregavam tal ranço cultural não brotou, cresceu e virou um tronco? Quantos de nós, quando na liderança da igreja, somos autoritários e manipuladores, sendo pastores ou membros influentes de nossa congregação?

Eu queria falar mal desse americano no chat, relutei, talvez porque não tivesse um bom inglês, mas acho que minha relutância foi bênção de Deus pois eu pude dizer-lhe apenas “Deus o abençoe”. Eu queria dizer que sou melhor que esse americano e que alguns pastores da denominação, mas quantos de nós brasileiros, já não contaram uma piada ou emitiram juízo racista, ou manipularam o próximo, assim só de brincadeirinha?

Quero agradecer a Deus por ter sido vítima de racismo no dia de hoje, pois assim posso valorizar mais meus compatriotas, cidadãos de todas as cores, e posso também escrever este texto pedindo a Igreja de Cristo em solo brasileiro, especialmente nós os batistas que trazemos essa história mesmo que por via indireta, para tirarmos qualquer possível trave de hipocrisia que possa atrapalhar o nosso dever de ver no próximo um campo missionário a quem Deus nos enviou a pregar, independente de sua origem, de seus preconceitos ou até de seu ódio para conosco. Oremos pelos batistas e evangélicos, brasileiros e americanos, que carregam um coração endurecido para Deus e cercam-se de todas as defesas para justificar-se, mesmo que essa defesa seja uma trave em nossos olhos.