26/10/2008

Heróis da Resistência em Comunhão

Gal 2:11  Quando, porém, Cefas veio a Antioquia, resisti-lhe na cara, porque era repreensível.

Há um problema no meio batista quanto à tolerância em discussões. Acredita-se que a verdadeira obediência é submeter-se sem expressão de descontentamento, encara-se isso como insubordinação, um termo até mais militar do que eclesiástico. Entre irmãos devemos estar prontos para a possibilidade de “sair no tapa” (figuradamente, claro) e não nos espantarmos com isso, pois se não admitimos essa possibilidade estamos sendo mais controladores uns dos outros do que irmãos em verdadeira fraternidade cristã. Paulo, referindo-se a Pedro, diz que lhe resistiu “na cara” expondo suas razões e penso que também suas emoções. Isto é muito forte para nós brasileiros, pois damos sempre um jeitinho para não arranjar problema, mas é necessário que aprendamos como cristãos, a conviver com o outro quando nos resistem na cara, quando dizem coisas difíceis e que abalam, usando esses momentos não para acusar o outro, pois resistir é diferente de acusar, mas para conciliar as opiniões e aprendermos como corpo, a dividir não só as decisões, mas também os sentimentos, aparentemente contraditórios com nossa fé que envolvem nossas relações de comunhão.

A comunhão não vem de um equilíbrio inabalável por regras fixas, mas pelo envolvimento e comprometimento comum com essas regras, o que não é conseguido com imposição, mas com diálogo. Resistir “na cara” também não significa ser desaforado, como alguns querem, mas sim discordar do outro com amor e sem partidarismo. Precisamos percorrer um caminho largo para conseguir essa democracia onde grupos dominantes não tenham decisão mais pesada na igreja do que o corpo de Cristo em si.

Sejamos heróis da resistência em comunhão. Resistir é preciso, mas acima de tudo ser coerente e estar pronto ao arrependimento é o fundamental nas nossas relações democráticas, onde ninguém tenha medo de dizer o que pensa perante a igreja para não ser reprovado, mas que tenha certeza de que se disser alguma coisa errada, ou duvidosa, será orientado com amor e com vontade de incluir cada um no contexto real, e não artificial, da igreja de Cristo.