05/10/2008

Cachaceiros "de Cristo"?

Pois ainda que eles se entrelacem como os espinhos, e se saturem de vinho como bêbados, serão inteiramente consumidos como restolho seco. Naum 1.10

 

Naum escreveu estas palavras de Deus dirigidas aos ninivitas, povo de seu tempo. Quero demonstrar como elas são atuais até mesmo para a igreja de Cristo.

 

Nínive era uma cidade fortificada e considerada instransponível, seus moradores sentiam-se tão seguros que embriagavam-se dentro de seus muros como nos conta um historiador antigo (Diodor. Sicul. l. 2. p. 112.), Naum alertava-os de que ninguém por mais forte que seja pode viver em pecados, ao contrário, deve mudar de direção e seguir a Deus enquanto há tempo. Apesar de intransponíveis pelo homem as muralhas não resistiram a uma grande inundação profetizada por Naum “As portas dos rios abrem-se, e o palácio está em confusão. Naum 2.6”. Não precisamos que os profetas repitam seu aviso pois já estão escritos para quem quiser ler e seguir, mas o problema é que estamos lendo sem seguir. Vejamos o caso do consumo de vinho na Bíblia Sagrada para ilustrar isso.

O vinho não era algo de grande consumo pelos pobres, a não ser em ocasiões especiais e era um vinho recém prensado com pouca fermentação, o vinho fermentado ou misturado com água era servido a trabalhadores interessava a alguém “anestesiá-los do cansaço” para aumentar a produção, até Salomão fez isso (2 Crônicas 2.10). Independente da discussão de caráter médico sobre benefícios e malefícios do vinho, pois sempre há pesquisas que defendam os dois lados com opiniões coerentes com quem as financia; e também não trazendo para hoje o costume judaico que em nenhum momento foi ordenado nem proibido, apenas adverte-se do perigo da embriaguez para um homem justo; quero falar do verdadeiro motivo porque os cristãos evangélicos não bebem, que está bem longe de conjecturas médicas ou culturais. Nós não bebemos por amor.

Segundo o apóstolo Paulo em I Coríntios 13.5 o amor “não busca os seus próprios interesses”. Há pessoas a nossa volta que precisam de uma demonstração de amor. Quantos ao ouvir a Palavra de Deus abandonam o vício do álcool que muitas vezes destruiu sua vida e encontram na igreja um oásis, tanto da Palavra de Deus quanto de uma comunhão sincera e alegre que abdica do vinho, ou seja, de sua fraqueza. Ao abdicar de consumir bebida alcoólica estamos demonstrando amor sem buscar nossos próprios interesses, estamos compreendendo a fraqueza do irmão e não nos gabando orgulhosamente de nosso direito de beber.

O que Paulo fala sobre carne sacrificada a ídolos e a fraqueza ou “força” entre os coríntios também se aplica como princípio, ou verdade atemporal, ao consumo de bebidas alcoólicas: 1Co 8:11-13  Pela tua ciência, pois, perece aquele que é fraco, o teu irmão por quem Cristo morreu. Ora, pecando assim contra os irmãos, e ferindo-lhes a consciência quando fraca, pecais contra Cristo. Pelo que, se a comida fizer tropeçar a meu irmão, nunca mais comerei carne, para não servir de tropeço a meu irmão.

 

Infelizmente muitos crentes tem procurado seus próprios interesses, embasando-se em justificativas ou estatísticas técnicas que, como disse aqui, servem mais para atender os interesses de mercado do patrocinador da pesquisa, e defendem o uso de bebida alcoólica pelos crentes. A Bíblia não proíbe? É verdade! Mas a Bíblia ordena também que não devamos amor a ninguém! Para não dever amor devemos abdicar de coisas que nos parecem inofensivas mas que para outros não são, para não dever amor devemos saber que nosso conhecimento ou possível notoriedade pode influenciar pessoas para caminhos difíceis para tais. Falo não só a professores de classes de estudo bíblico, mas também a pastores e teólogos que tem se esquecido do amor e buscado “seus próprios interesses” ou melhor suas próprias idéias que em última análise são fruto daquilo que nos interessa.

Alguém disse que este ensinamento de não beber bebida alcoólica surgiu especialmente entre os evangélicos brasileiros devido a um cisma denominacional, mas isso é interessante por que num momento de crise podemos ler melhor a Bíblia, buscando sua essência amorosa e complacente com o próximo, pois quando tudo vai bem é comum dizermos “dane-se”, “que que tem isso”, ou “não tem nada demais”...

Viver como Cristo quer é mudar de direção para o que é bom, construtivo e agradável, ir em direção contrária, como alguns já insinuam é viver “conforme nossos próprios interesses”. Esforcemo-nos para viver conforme os interesses amorosos e sublimes de Cristo.