14/09/2008

Ética Cristã

Mat 9:13  Ide, pois, e aprendei o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifícios. Porque eu não vim chamar justos, mas pecadores.

Quando entrei para o seminário foi feita uma entrevista exaustiva onde, vendo minhas expectativas a entrevistadora disse "Aqui não é céu, mas também não é o inferno", demorei um pouco para entender a sabedoria dessas palavras mas durante o curso pude percebe-la. Um dos casos que me chamaram a atenção para essa assertiva foi o debate sobre a Ética Cristã.
Ao estudar ética cristã vemos que ela não é comprometida com nenhuma escola específica de estudos éticos, seja ele de ética absolutista, relativista ou outra, aliás, a ética relativista foi muito sedutora a alguns de meus contemporâneos de seminário. Pensavam o seguinte: se na ética relativista, o que importa é o Bem Maior poderíamos mentir ou cometer outros "pequenos pecados"( como colar nas provas do Seminário) para alcançar o Bem Maior da aprovação com boa nota e manutenção de bolsas de estudos pelas igrejas. Talvez você se escandalize com isso, muitos se escandalizam, mas não tem coragem de admitir, pois isso prejudicaria seu relacionamento com aqueles que dominam as possibilidades de colocação na denominação, admitir isso publicamente é ficar sem igreja para pastorear, pois isso é escondido das igrejas e mostrado apenas os pontos positivos e resultados fantásticos dos seminários. Como já não tenho pretensões de ser pastor, fui apenas chamado para pregar a Palavra de Deus e nenhum clericalismo me impedirá disso, posso usar esse pecado que alguns entre o povo de Deus aceitam facilmente como ilustração para o que quero dizer.
Os relativistas usam o argumento de que o absolutismo ético, que diz que não podemos mentir de maneira nenhuma, mesmo para salvar uma vida, é um absurdo e vai contra o ensino do livro de Josué que mostra a mentira de Raabe para proteger os espiões de Israel da morte pelo maléfico povo de Jericó não foi criticada e que Raabe passou até a fazer parte da genealogia de Jesus como podemos verificar no evangelho de Mateus. Com um sentimento meio maniqueísta tendemos então a achar que o relativismo ético é agradável a Deus, importando no caso, o que julgamos pessoalmente o Bem Maior. Isso é uma operação do espírito do erro que está no mundo, entendemos que este espírito do erro opera em todo lugar onde há seres humanos, inclusive na igreja e nos seminários, devemos reconhecer também que nos escandalizamos com os pecados dos outros e não anunciamos os nossos próprios, talvez se eu fosse participante desse pecado não o denunciasse, como provavelmente alguém poderá denunciar algum erro do qual eu tenha participado por "menor" que seja tal possível pecado na minha vã concepção humana, portanto meu objetivo em escrever sobre isso não é escandalizar a igreja mas alertar para a importância da misericórdia na vida dos crentes em Cristo.
Todos somos incoerentes e pecadores, eu e você, eu porque falo do pecado dos outros escondendo os meus, você porque provavelmente também faz o mesmo, mas Jesus diz que veio para chamar pecadores ao arrependimento sejam eles os membros mais passivos da igreja ou os crentes mais operantes, ou mesmo pecadores inveterados. Não podemos conformar-nos a nossa carne devemos é resolver nosso problema de fé e fidelidade a Deus aprendendo o que Jesus nos ensina sobre a Ética Cristã: não importa o absolutismo ético radical, ou o sedutor relativismo para uma ética conveniente; o que importa mesmo para a Ética Cristã é a MISERICÓRDIA.
Raabe não foi justificada por relativizar os padrões morais de Deus, ela foi justificada porque demonstrou misericórdia por aqueles servos de Deus em ameaça de morte. Raabe entrou na genealogia de Jesus porque tinha um espírito misericórdioso, mesmo que fosse tão pecadora como nós. Nossa Ética Cristã deve estar pautada na misericórdia que é um sentimento que vem de Deus e nos orienta a tomar as melhores decisões, agradando a Deus, em momentos difíceis. Um verdadeiro servo de Deus segue a misericórdia e não escolas filosóficas, mesmo que sua discussão possa ajudar na reflexão sobre os fatos da vida.
Para terminar deixo um alerta àquelas igrejas que exigem nota máxima a seus seminaristas: é ridículo avaliar ou colocar em jogo a bolsa de estudos de um seminarista baseado em suas notas, pois alguns dos melhores, mais ativos e dedicados pastores e ex-seminaristas que conheço não foram, via de regra, alunos de nota 10. As igrejas também precisam ensinar a misericórdia valorizando cada seminarista, pastor, ou ministro em suas próprias limitações ajudando-os a superar dificuldades, e não agigantando-as produzindo uma falsa necessidade de agradar a igreja para não perder seus recursos para o estudo com notas altas demais. É muito melhor formar grandes obreiros com notas medianas no seminário, mas cheios de misericórdia, do que formar pessoas que acabam valorizando mais a conquista do diploma do que a misericórdia e a fidelidade à Palavra de Deus. Precisamos refletir sobre nossos próprios erros como igreja para imitar a Cristo de forma genuína e apresentar a Palavra de Deus como obreiros que não tem do que se envergonhar ao manejar a Palavra da Verdade.

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