24/09/2008

Precisa-se urgente de poetas para Deus!!

I Timóteo 3.16-17  Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra.

 Não quero aqui menosprezar o gosto de um grupo social, mas em toda atividade há os que fazem bem feito e os que fazem mal. O pagode é um exemplo disso como manifestação cultural: há bons cantores e compositores que geralmente não são nem chamados de pagodeiros, mas de sambistas pela beleza e harmoniosidade de suas letras e melodias e os que são chamados de pagodeiros de forma pejorativa pela baixa qualidade do trabalho musical e poético. Você poderia dizer que pagode não tem nada com a Bíblia e que estou puxando assunto bobo, mas não é sobre pagode que falo, mas sobre a semelhança entre os produtores de arte evangélica com os que produzem arte secular. Existem aqueles que produzem boa música, infelizmente são poucos, ouvidos por poucos e tocados em poucas rádios, existem também os que produzem música de baixa qualidade, infelizmente são muitos, ouvidos por muitos e tocados por muitas rádios, pois seu apelo é muito mais digerível comercialmente do que uma música mais elaborada. Não me refiro a ritmos, estilos musicais ou outras características específicas, mas ao cuidado, ou falta dele na elaboração de hinos de louvor a Deus especialmente no que se refere às letras da maioria das músicas evangélicas da atualidade. Infelizmente temos bons músicos que negligenciam a qualidade da letra da música, fazem alguma coisa que possa ser digerida sem trabalho reflexivo do ouvinte e ser rapidamente descartada depois de produzir muito dinheiro em venda de discos. As letras, como nos pagodes de baixa qualidade, são sempre os mesmos clichês e chavões mal enjambrados em péssimas traduções de música americana ou de historinhas jocosas que produzem riso, aliás, historia jocosa não é louvor, pois louvar é falar bem de alguém sem deboche, quando fazemos musica jocosa o fazemos por mera diversão e o rótulo de louvor é só para dar guarida à nossa obra. Precisamos urgentemente de compositores que sejam verdadeiros poetas, que abandonem a “música enlatada” que, aliás, é muito boa em inglês não tendo essas letras medíocres que costumamos cantar, experimente ler a tradução, ou melhor traduzir, a mesma música que você canta todo domingo na igreja e veja quanto é pobre a tradução feita para agradar as massas, pobre em poética, pobre em conteúdo bíblico. Claro que temos honrosas exceções como Vencedores por Cristo, Atilano Muradas, João Alexandre, Grupo Logos, mas prevalece o recurso comercial ao evangelístico.

O texto Bíblico transcrito acima nos ensina como deve agir um artista cristão, principalmente um poeta, deve priorizar a Palavra de Deus para “ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça”. A música em si não é louvor, mas é um instrumento de expressa-lo, e como louvar é falar bem de alguém, no caso Deus, devemos nos esforçar para falar bem dele como não falaríamos de ninguém. Que louvor pode expressar uma música com jargões repetitivos do tipo “quero te abraçar” “quero te louvar” e outros desse tipo? Não é mais bonito, e mais digno, cantar “Ele é o dono da chuva, do sol e do mar, é Senhor da alegria, da dor do chorar. Ele dono dos montes da terra e do ar é Senhor das crianças, das preces dos hinos, ele é meu e também teu Senhor” ?

Resumindo o que digo, a música na igreja não é um instrumento de transe coletivo, mas deve ser uma pregação a cada verso cantado, que sirva para “ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça”. Oremos a Deus para que Ele nos envie poetas que valorizem sua Palavra e a usem abundantemente em suas composições, pois muitos, ou poucos, como eu, não agüentam mais cantar “louvores”