07/08/2008

Um novo homem para uma nova essência.

Mat 9:10-17  Ora, estando ele à mesa em casa, eis que chegaram muitos publicanos e pecadores, e se reclinaram à mesa juntamente com Jesus e seus discípulos. E os fariseus, vendo isso, perguntavam aos discípulos: Por que come o vosso Mestre com publicanos e pecadores?

Jesus, porém, ouvindo isso, respondeu: Não necessitam de médico os sãos, mas sim os enfermos. Ide, pois, e aprendei o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifícios. Porque eu não vim chamar justos, mas pecadores.

Então vieram ter com ele os discípulos de João, perguntando: Por que é que nós e os fariseus jejuamos, mas os teus discípulos não jejuam?

Respondeu-lhes Jesus: Podem porventura ficar tristes os convidados às núpcias, enquanto o noivo está com eles? Dias virão, porém, em que lhes será tirado o noivo, e então hão de jejuar.

Ninguém põe remendo de pano novo em vestido velho; porque semelhante remendo tira parte do vestido, e faz-se maior a rotura.

Nem se deita vinho novo em odres velhos; do contrário se rebentam, derrama-se o vinho, e os odres se perdem; mas deita-se vinho novo em odres novos, e assim ambos se conservam.

 

 

Tenho amigos que vendem perfumes, são de boa qualidade e geralmente deixam seus clientes satisfeitos, os frascos são bonitos e bem acabados, mas não é somente isso, o conteúdo é de boa qualidade. Desde os tempos de Jesus até hoje há necessidade de adequação do conteúdo ao continente, embora as tecnologias de embalagem tenham evoluído isto ainda é uma realidade. Já repararam na caixa de Maisena? Mudou muito pouco desde de sua concepção original, isto porque a embalagem é adequada e representa bem o conteúdo. Vamos falar sobre embalagens dos tempos de Cristo, os odres, e ver o que tecnologia de embalagem tem há ver com espiritualidade.

Os odres eram feitos de couro de animais e, no caso do vinho, recebiam a ação de sua possível fermentação, embora o consumo e produção da época fossem tão imediatos que a fermentação elevada não fosse tão comum, ainda assim existia. O vinho novo que ainda não tinha sofrido pouca ou nenhuma fermentação deveria ser guardado em odres novos que acompanhariam o desenvolvimento do vinho e se adaptariam a ele num certo tipo de degradação e acomodação do próprio couro de que era feito fazendo com que ambos tivessem a mesma vida útil, quando o odre era velho, já tinha suportado toda a ação de uma possível fermentação do vinho, e não estava apto a receber uma nova carga pois tinha chegado ao máximo de sua resistência, por isso Jesus diz que colocar vinho novo em odres velhos é desperdiçar o vinho pois o conteúdo e a embalagem são incompatíveis.

No texto acima vemos uma clara manifestação da graça de Cristo que atinge a todos os seres humanos que crêem nele e não somente naqueles que seguem rituais rígidos e até certo ponto ascéticos. Os fariseus criticavam a Jesus, pois não compreendiam como ele poderia sentar-se com parias da sociedade, que ritualmente eram impuros aos olhos preconceituosos e nada misericordiosos dos fariseus: os publicanos que eram considerados traidores da nação por cobrarem impostos para o dominador império romano e os pecadores de vários tipos que nem sequer seriam dignos de participar da religiosidade judaica.

Jesus sabia que a grande diferença entre estes últimos e os fariseus era a disposição para arrepender-se de seus pecados, de buscar uma transformação de vida em Cristo, ao contrário dos fariseus que escondiam sua cumplicidade com os romanos que sustentavam de alguma forma o jogo de poder no templo mantendo privilégios dos sacerdotes o que era também uma traição velada e hipócrita ao seu povo. Os fariseus criticavam a Jesus por estar com publicanos e pecadores, mas Jesus sabia que eles eram tão pecadores quanto os outros, mas que uns buscavam arrependimento e outros viviam na hipocrisia da aparência de santidade escondida em rituais complicados e até não ordenados por Deus.

Os discípulos de João Batista ainda encontravam-se confusos, pois estavam passando da orientação de um precursor, que veio antes de Cristo para preparar o seu caminho, e ainda precisavam aprender mais da graça de Deus com o próprio Cristo, por isso perguntaram acerca dos procedimentos religiosos que eles observavam junto com os fariseus e Jesus lhes explica que mais do que sacrifícios Deus quer misericórdia, quer que nos compadeçamos dos outros e anunciemos a Palavra de Deus aos que podem parecer menos merecedores, e não quer que coloquemos obstáculos e escudos intransponíveis para que pecadores arrependidos voltem-se para Cristo.

Este conceito era revolucionário, pois deixava bem claro que com uma visão hipócrita e ritualística sem misericórdia e sem valorização do ser humano carente de Deus, não tem lugar na nova ordem estabelecida por Jesus: O que vale agora é a graça, o presente imerecido da salvação conseguido pela fé transformadora em Cristo, e não por meios que são interpretações errôneas da lei de Deus e sem nenhuma compaixão. Jesus enfatiza aqui que a graça de Deus é impossível de ser contida pelo farisaísmo, pois este já estava desgastado e desviara-se dos valores das escrituras. A graça de Deus precisava de um recipiente novo, um odre novo, capaz de conter sua plenitude que é um novo homem arrependido e transformado por Deus.

Quanto ao jejum representava um estado de tristeza de uma pessoa, ou mesmo de uma nação que sobre grande aflição esquecia até de comer para dedicar-se à oração e ao serviço a Deus em busca de uma bênção especial ou do perdão de Deus. Os fariseus transformaram isso num ritual obrigatório, sem nenhum sentimento espiritual de contrição e arrependimento, mas apenas de cerimonialismo religioso.

Podemos entender desse versículo é que se estamos em novidade de vida precisamos viver de forma que a misericórdia de Deus se mostre em nós. Essa misericórdia é mais importante que qualquer ato místico ou religioso que possamos fazer, pois isso é ser um vaso que possa receber a graça de Cristo em toda a sua intensidade.