27/08/2008

Garantia de Imortalidade

Não é de pouca amplitude o interesse que estas palavras despertam em corações humanos mas para o cristão basta a confiança quieta, assegurada, com que o Salvador fala do além. Em toda literatura existe pelo menos uma cena que possa ser comparada com esta. É a narração de Platão sobre as horas derradeiras de Sócrates na prisão, antes de beber o veneno mortal de sua condenação. Como Cristo, Sócrates iria morrer. Como Cristo, seus pensamentos estavam voltados para a imortalidade. Ele debate, especula, pergunta sobre isto com os amigos que o visitam e consigo mesmo. Mas havia diferença nas atitudes. Sócrates especula, sem certeza, sobre uma desconhecida eternidade. Cristo fala de uma vida que Ele conhecia perfeitamente. Não é o que Cristo diz sobre a eternidade que nos dá segurança mas a autoridade que o investia ao dize-lo. Onde outros especulam, o Salvador conhece. Onde outros se assustam com a sombra da morte, Cristo mantém-se calmo, pois sabe para onde vai.

As palavras de Jesus confirmam os desejos de nosso coração. Profundo e enraizado no homem é o senso de imortalidade, em qualquer idade, em qualquer povo, em qualquer religião. Mesmo quando o negamos intelectualmente confessamos esta realidade em nossa vida. O mundo não tem poder para satisfazer o coração mais carente, mesmo assim, carregamos cargas,abraçamos ideais apaixonadamente, numa tentativa de esticar as mãos para alcançar a imortalidade. Quem é amado sem desejo para sempre? O afeto é busca pela eternidade. O que verdadeiramente ama não deseja o amado por um ano ou um milênio, deseja para a eternidade (o "seja eterno enquanto dure" mostra apenas a incapacidade humana de alcançar o eterno, mas não pode negar a eternidade nem nossa necessidade por ela) por isso nos confortamos na autoridade de Cristo que diz "se não fosse assim eu vo-lo teria dito".

Há convicções que passam, como a velha idéia de que o sol girava ao redor da Terra, agarrar-se ou mudar de convicção pode mudar nosso destino, mudar a idéia citada foi resultado de escolhas e enfrentamentos num resultado positivo. Mas existem outras convicções que tocam, moldam e dão cor à nossa vida, como a da imortalidade. A luz de Cristo não nos oferta medo de castigos divinos mas amor e esperança se confiamos em sua promessa. Não podemos negociar com nosso senso de imortalidade pois não há meio termo, não há como ficar indeciso, ou preparamo-nos para a imortalidade ou cairemos num abismo desconhecido. Cristo muda o sentimento de solidão, medo, escuridão, de sepultura repugnante dizendo com autoridade: "Filhinhos, confiem em mim, pense por um momento e veja que se o céu não fosse real eu não deixaria você se meter nisso, se ele não fosse assim eu vo-lo teria dito".

Ele nos teria dito porque nos ama e não pode agüentar nos ver enganados, porque não nos quer abandonando a Verdade pela mentira diabólica, nosso desejo inato pela imortalidade precisa de Cristo para ser satisfeito, pois só Ele é "o caminho, a verdade e a vida" mesmo que maltratemos seu coração divino, pois o desejo de imortalidade e de eternidade começa no mais limitado e efêmero que é o próprio homem, por isso aceitar seu amor e viver para ele é a única atitude que completa o homem que o faz alcançar a eternidade com as mãos de Deus.

Tradução livre, com adaptações, do devocionário "The Glasgow Pulpit Series" de George H. Morrison (este devocionário encontra-se gratuitamente e na íntegra, em inglês, no programa e-sword)