18/07/2008

Homens que pensam ser Deus.

Texto base: Hebreus 1 A Palavra ministro tem andado em alta nos meios evangélicos. Cada dia mais tem alguém se gabando de ser “ministro de Deus” e evocando para si poderes e capacidades especiais, e muitos os tem seguido ingenuamente. Seria isso um Ministro de Deus? Vamos falar sobre isso. Quando era diretor de um departamento em uma igreja, ainda seminarista, um colega de seminário brincando, me chamou de ministro na presença de pastores, logo este meu colega foi advertido afinal eu não era ministro, pois, na concepção daqueles pobres pastores o ministro é aquele que tem cadeira cativa porque faz parte de certa “ordem” de iniciados, que para nada mais presta do que fazer reserva de mercado embora afirmem categoricamente que a igreja não é comércio. A palavra ministro não confere nenhuma posição social ou religiosa elevada àquele que a carrega com consciência e honestidade, pois ministro significa escravo. É isso mesmo: ministro é uma palavra grega que não foi traduzida, apenas transliterada e que refere-se a condição de serviçal dos pastores e outros servos da igreja (não gosto da palavra líder, pois esta é apenas outra transliteração que em inglês significa chefe. Na igreja não temos chefes, somos servos uns dos outros). Quantos pastores e “líderes” gostariam de ser chamados de ministros se ensinassem esse significado às ovelhas de Cristo? Será que alguém iria dizer com orgulho que está fazendo uma “ministração”? Será que este ministro teria coragem de dizer para todos que ele é tão importante quanto o mais humilde servo na igreja? Ou será que prefere manter a mística da palavra transliterada para receber respeito e honrarias? Os anjos de Deus são assim: “espíritos ministradores, enviados para servir a favor dos que hão de herdar a salvação”, tem consciência de que Jesus é o verdadeiro Deus e que não podem comparar o seu serviço com a glória de Cristo, e também sabem que seu ministério, ou trabalho de serviçal, não pode ser considerado digno de honra maior do que Cristo. Não foi assim com o Diabo e seus anjos que viram no ministério perante Deus uma oportunidade de usurpar-lhe o trono, que não foi bem sucedida e nem poderia ser, mas que tem encontrado eco no coração de muitos pastores em nossos dias, sejam eles de que denominação for. Quer ser um ministro? Sirva ao próximo ensinando e vivendo a Palavra de Deus. Não precisa fazer parte de um clericalismo instituído para isso. Não precisa também criar sua própria estrutura clerical como muitos outros fazem, pois Deus está a procura de servos e não de Chefes políticos na igreja de Cristo. Deixe Cristo ser Deus, seja apenas servo.