20/06/2008

O que sua igreja anda benzendo?

Falso pastor pego em flagrante com espingarda calibre 32 em igreja. Há suspeita que tentava roubar os dízimos do dia. Alegou que “só ia benzer a arma na igreja”.

Outro dia saiu a manchete (que você verá amanhã num recorte acima) nos jornais do Rio de Janeiro. Omitirei o nome dos autores do fato e da igreja, pois não nos interessa aqui condenar qualquer pessoa ou religião, queremos apenas entender o fato à luz das Escrituras para saber como podemos ser melhores cristãos. Destacarei alguns trechos da reportagem em nosso comentário, você pode ler a matéria na íntegra clicando na imagem para que ela abra maior em seu navegador web.

Esse rapaz talvez visse nessa igreja primeiramente um lugar de aparências, pois com indumentária característica tentou se passar por pastor auxiliar. Ele não percebeu que o importante é a essência e não apenas o modo de se vestir ou falar. Em muitas igrejas evangélicas hoje, tem-se dado mais valor a números e aparências do que ao coração transformado. Mas é claro que há exceções, lembro do irmão Geraldo da PIBN, um homem simples, humilde e prestativo, de todas as pessoas que vi ali desde as mais importantes socialmente até às mais desfavorecidas ninguém me impressionou tanto quanto ele. Tudo que o irmão Geraldo fazia era por gratidão por Deus tê-lo salvado e por nada mais. Passava todo o culto de joelhos ao fundo da galeria orando e lendo a Bíblia claramente sem nenhuma intenção de parecer mais espiritual, era apenas a forma dele manifestar a sua fé e gratidão, e ele nunca se gabou disso até o dia em que Deus o chamou para a glória. O que eu quero dizer com isso? Cada um de nós tem sua forma de ser, por mais estranha que pareça às vezes, e não é a mera aparência que vai fazer de nós pessoas melhores, nosso exterior deve traduzir o nosso coração e não mascara-lo. Quantas vezes temos mascarado nossa vida com meras aparências e nos afastado da essência que é Cristo?

Outra coisa que esse rapaz parecia ver nessa igreja era algo que é anti-igreja, ele queria que “benzessem” sua arma, segundo alegou. Isto é xamanismo e não cristianismo. Mesmo que isso possa parecer apenas uma desculpa do infrator esconde algo que ele via naquela igreja: um lugar de manipulação das forças espirituais para se conseguir algum proveito próprio, o xamã manipula forças espirituais, ou diz faze-lo, o cristão confia em Deus e entrega sua vida a ele sem nenhum amuleto ou intercessor que substitua a Cristo na intermediação entre nós e Deus. Quantas vezes pensamos que podemos manipular a Deus seja com orações, ou votos, ou jejuns, em alguns casos até com promessas? Quantas vezes prensamos que precisamos de um mediador além de Cristo entre nós e Deus, seja ele um santo, um padre ou um pastor?

A solução para o problema poderia ter sido também outra, ao invés de chamar o PM porque não orar com aquela pessoa, oferecer-lhe ajuda não só espiritual como material, e tentar demove-lo de seu ato. Foi mais fácil que acabasse “sendo alcançado pelo agente” numa forma truculenta, que de longe não podemos avaliar completamente, mas será que não havia outra possibilidade a ser escolhida? Estamos alcançando as pessoas pela força ou pela Palavra de Deus?

Finalmente, suspeita-se de intenção de roubar as gordas ofertas de uma celebração ritualística que nem mesmo é embasada biblicamente. Será que passaram a ver as igrejas como verdadeiras instituições financeiras? Será que estamos tão preocupados em guardar os bens materiais do templo que estamos esquecendo que a verdadeira igreja é construída com pedras vivas, com seres humanos que valem mais do que qualquer riqueza?

Essas opiniões não são taxativas mas têm a finalidade de fazer-nos pensar sobre o que temos refletido em nossas igrejas evangélicas. Gostaria, também, que o rapaz que cometeu tal erro refletisse em algo que está em seu próprio nome, que em hebraico significa “Deus cura”, não importa o que ele tenha feito, onde tenha feito, ou porque tenha feito, é importante que ele veja que Deus pode curar sua alma limpando qualquer multidão de pecados, que está muito além de qualquer “benzimento” ou “oração forte” que o homem possa fazer.