27/05/2008

Unidos por laços bem atados.

Pessoas unidas por laços profundos são companheiras de todos os
momentos. Pessoas unidas por laços superficiais se separarão por mais
notável que seja o laço entre eles.

Gênesis 25:9 " Sepultaram-no Isaque e Ismael, seus filhos, na caverna
de Macpela, no campo de Efrom, filho de Zoar, o heteu, fronteiro a
Manre"

Temos vivido um mundo preocupado com terrorismo, seja lá fora, na
Europa onde sem se discutir os motivos, há uma preocupação
praticamente preconceituosa contra pessoas de origem muçulmana, seja
também nas ruas das nossas grandes cidades do Brasil onde não andamos
sem "ficar espertos" com tudo que nos cerca para prevenir um possível
assalto. Tanto o problema deles lá, como o nosso aqui tem uma única
raiz: laços afetivos superficiais, numa linguagem mais pedagógica, e
em termos teológicos, falta de amor ao próximo. Prefiro o segundo
termo por ser muito mais forte e abrangente.
Abraão teve dois filhos, Isaque e Ismael; sua convivência em família
foi conturbada pois um era filho da concubina outro da esposa, mas
ambos eram igualmente filhos e igualmente irmãos. No texto citado
acima vemo-los unidos na morte de seu pai Abraão em cooperação. Hoje,
figuradamente, isso não é visto mais entre eles, salvo poucos casos,
pois há guerra entre seus descendentes.
A história das famílias de Isaque e Ismael deve levar-nos a pensar
sobre a comunhão que cultivamos com nossa família, com nossos irmãos
em Cristo e com o próximo.
Não podemos cultivar preferência, pois com isso jogamos veneno nas
raízes de nossos relacionamentos, Abraão algumas vezes preferia a um
ou a outro o que gerou outra praga em seu relacionamento familiar, o
ciúme. Sara e Hagar não se entendiam e, ao contrário de uma vencer a
outra, quebraram a comunhão possível entre irmãos.
Quantas vezes só conhecemos alguém de nossa família, ou tomamos
conhecimento que um irmão da igreja existia, em ocasiões fúnebres como
no exemplo de Isaque e Ismael? Quantas vezes estamos tão distantes uns
dos outros que quando nos encontramos e perguntamos por amigo em comum
descobrimos que é falecido? É o mundo pós moderno onde devemos ser
polivalentes e ter tempo para tudo menos para dedicar ao próximo. Às
vezes enojantes argumentos cheios de poética e dialética superficial
tentam mascarar isso, pena que quando as pessoas enjoam desses
argumentos pode ser tarde demais. Talvez esses nossos argumentos e
posturas tenham gerado mais violência em nosso meio do que a própria
desigualdade econômica, tão propalada pelos marxistas.
A Bíblia nos conclama a estabelecer relações muito mais do que
solidárias, pois o solidário pode ser um companheiro temporário,
devemos estabelecer relações de amor cristão com o próximo que
ultrapassem uma trégua solidária e avancem para comunhão fraternal.
Se fizermos isso, teremos muito mais força para encarar a vida, pois
viver a nossa vida também é viver a vida do outro, com o outro e pelo
outro.
Comece pelos que estão perto, em sua casa, na escola, no trabalho,
depois lembre dos bons amigos que não vê há algum tempo e verá que
comunhão não está em eventos pontuais e alusivos a qualquer data do
calendário da sua igreja, mas deve estar entranhada em todo momento de
nossa vida mesmo que "suportar o outro", como diz o apóstolo Paulo,
seja necessário.