11/02/2008

Sociedade Demiúrgica

Jer 29:11 Pois eu bem sei os planos que estou projetando para vós, diz o Senhor; planos de paz, e não de mal, para vos dar um futuro e uma esperança. Lendo um livro sobre educação (INDISCIPLINA / DISCIPLINA - ética, moral e ação do professor por Yves de La Taille, Nelson Pedro-Silva e José Sterza Justo) deparei-me com uma descrição da ciência neste mundo pós-moderno em que vivemos como uma ciência demiúrgica. Para entender este termo, pelo menos como eu entendo, precisamos de uma brevíssima explicação sobre o que é o Demiurgo. Para os gregos no início havia apenas a matéria disforme, as idéias que eram conceitos perfeitos da “realidade”, o vazio e uma divindade que era o dito Demiurgo. Esta divindade resolveu criar o mundo através da matéria imperfeita como cópia dos conceitos perfeitos do mundo das idéias, após fazer isso, abandonou sua criação à sua própria sorte pois eram apenas uma cópia imperfeita que nunca poderia compartilhar da perfeição do mundo das idéias. Pelo que entendi, o autor citado, compara os cientistas que tentam brincar de deus manipulando inconsequentemente seu conhecimento, sem se importar com as conseqüências éticas, morais, espirituais envolvidas em seus experimentos com o Demiurgo. E ele está certo, só quero acrescentar que há vários demiurgos em nossa sociedade que não só esta classe irresponsável de cientistas. Vou citar somente três que considero de importância vital para qualquer sociedade e que não podem cair nesse tipo de comportamento, embora muitas vezes caiam: os pais, os professores e os pastores. Existem os pais demiúrgicos que sentem prazer em fazer um filho e não se importam em colocá-lo no mundo, mas depois disso, deixam que as crianças criem-se por si mesmas entregues a toda forma de influencia negativa. Não me refiro aqui a pais que por grande pobreza não conseguem dar toda a atenção que seus filhos merecem, até porque no pouco tempo que tem com os pequenos a qualidade de seu exemplo paterno compensa muitas dificuldades da vida, estes com certeza, não são pais demiúrgicos. Mas aqueles que podendo cuidar de forma mais próxima de seus filhos os abandonam por interesses menos nobres e os ignoram como pessoas que necessitam de seu cuidado, cabem bem nesse rótulo. Embora não goste muito de rotular, em alguns casos eles são necessários para nos chamar à consciência. Existem os professores demiurgicos, que infelizmente não são poucos, e só sabem despejar seu “conhecimento” sobre o aluno sem se preocupar com os fatos inter e intrapessoais que acontecem numa sala de aula. Carinho, amor, consideração para esse professor são coisas que só devem ser dirigidas a ele próprio pois ele se julga alguém iluminado e detentor e doador do conhecimento a quem os alunos (cuja raiz etimológica significa “sem luz”) devem prestar todas as honras. E que cada um se vire para entender e absorver sua sabedoria. Graças a Deus isso tem mudado muito e já se discute a grande importância do afeto na educação. Existem os pastores demiurgicos, que fazem tudo para converter almas, pregam todo tipo de promessa – especialmente as que a Bíblia não faz – e arrastam após si muitas almas sedentas da Palavra de Deus, mas, quando uma ovelha sua necessita de cuidados e de atenção pastoral abre o discurso que essa pessoa precisa “amadurecer espiritualmente” e que ela está com “falta de fé”. Já imaginou se Jesus levasse em consideração esse tipo de desculpa quando, no plano de Deus, estava prestes a morrer na cruz? Provavelmente ele desistiria, mas graças a Deus porque Jesus é o Bom Pastor que dá a vida pelas suas ovelhas e não desistiu de demonstrar o quanto se importa por nós consumando seu ato redentor. Talvez você não se encaixe em nenhum desses exemplos, e isso é bom; ou talvez você diga que fui limitado citando apenas poucas áreas de atuação humana, mas o que é verdadeiramente importante é que, seja qual for a sua atuação na sociedade ou na igreja, você deve agir como o Deus Jeová justo e compassivo que se importa com nosso destino e se compromete em mudá-lo; não seja mais um demiurgo nessa sociedade indiferente. Jesus Cristo deu o maior exemplo do que é importar-se com o outro e buscar tratá-lo com dignidade e amor, imitemos o exemplo de Cristo.