23/10/2006

Conversando

Um comentário bíblico procura explicar os textos contidos na Bíblia. Existem vários tipos de comentário, alguns mais complexos que são indicados para quem estudou teologia mais a fundo, outros mais simples e de fácil compreensão destinados às pessoas que não tem uma formação teológica - chamados de "Comentários devocionais".
Esta é uma série de comentários devocionais, destinada àqueles que não tem uma formação teológica mas gostam de aprender mais da sabedoria contida na Bíblia Sagrada. Vamos começar analisando a Primeira Carta do Apóstolo João que nos fala do amor de Deus que providenciou a salvação em Jesus e quer que tenhamos amizade íntima com Ele. Os comentários são acompanhados do texto bíblico para que você possa conferir na própria fonte. Aprenderemos muita coisa com o primeiro capítulo deste livro sagrado.

1 O que era desde o princípio, o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram da Palavra da vida 2 (porque a vida foi manifestada, e nós a vimos, e testificamos dela, e vos anunciamos a vida eterna, que estava com o Pai e nos foi manifestada),
3 o que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também tenhais comunhão conosco; e a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo.
A preexistência de Jesus é um fato. João se refere a ela, mesmo que de passagem, para enfatizar a divindade de Cristo e refere-se a sua experiência física com Jesus para mostrar que, além de Deus, ele também foi ser humano como nós.
É interessante notar que nenhuma outra "divindade" poderia ser, ao mesmo tempo, poderosa e infalível para oferecer Salvação eficaz ao homem, e também ter experimentado a impotência e falibilidade humana a ponto de saber o quanto sofremos com o pecado. É desse Jesus poderoso e misericordioso que João testemunha convidando todos a uma comunhão íntima com Deus como ele mesmo já tinha experimentado através de Jesus.

5 Estas coisas vos escrevemos, para que o vosso gozo se cumpra.
Quando falamos de Jesus muitas pessoas não compreendem tanto empenho em pregar. João demonstra aqui o motivo desse zelo: nós experimentamos uma alegria incomparável com Jesus e queremos falar a outras pessoas para que elas também desfrutem dessa alegria. João faz a mesma coisa comunicando através dessa carta que escreveu.

5 E esta é a mensagem que dele ouvimos e vos anunciamos: que Deus é luz, e não há nele treva nenhuma.
João mostra de quem vem a autoridade da sua mensagem: não vem dele mesmo que estava sujeito a erros, vem do próprio Senhor Jesus Cristo. A Bíblia é a Palavra de Deus, o único ser perfeito que pode revelá-la isenta de erros, nela está a autoridade da mensagem de João que mostrava a natureza de Deus: Luz. Note-se que João não diz que Deus é um ser de luz, o texto mostra sua singularidade: Deus é Luz, e não uma luz, e não pode conviver com as trevas pois conviver com as trevas é contrário à sua própria natureza.

Se dissermos que temos comunhão com ele e andarmos em trevas, mentimos e não praticamos a verdade
Quando nos unimos com Deus, através da fé em Jesus como nosso Senhor e Salvador, compartilhamos de sua natureza como filhos por adoção. Assim como a família adotiva molda o caráter de uma criança que se torna cada vez mais parecida com os novos familiares (pelo menos é o mais provável), a relação do convertido com Deus vai além da mera aparência, ele deverá ter uma nova natureza que não sinta prazer em ter comunhão com o pecado. Deste raciocínio João mostra um tipo de homem sem Deus: aquele que diz servir a Deus mas anda muito longe dele, fazendo exatamente o contrário da vontade divina. Logo pensamos que conhecemos muitas pessoas assim, e pode ser verdade, mas devemos aplicar essa verdade a nossas próprias vidas: temos vivido uma vida religiosa ou de boas obras mas nossa vontade constantemente nos dirige para o pecado? Se fazemos isso com consciência total ou não, devemos nos arrepender e reconciliarmos com Deus para restaurar nossa comunhão com ele.

8 Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo pecado.
Andar com Deus e ter coisas em comum com Ele, isso reflete-se na comunhão que temos com pessoas que servem a Deus. Servir a Deus é moldar a nossa vontade com a dEle, sendo assim temos prazer na amizade com pessoas que tenham o objetivo de fazer a vontade de Deus. É comum as pessoas se reunirem em "tribos" de interesses comuns e com isso trocarem experiências e idéias, mas nem sempre esses grupos traduzem o que há de melhor, mas mostram a necessidade humana de viver em sociedade, de fortalecer-se através do companheirismo. Se queremos ter comunhão com Deus precisamos juntar-nos a pessoas com o mesmo objetivo: servir a Deus.
Temos tido prazer em fazer a vontade de Deus e buscado amizade de pessoas que façam sua vontade? Ou nosso prazer está em contrariar a vontade de Deus e buscar contato com pessoas que se rebelam contra Ele?

8 Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós.
9 Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.
Ninguém gosta de enganar a si mesmo, mas muitas pessoas se enganam dizendo não possuir pecado. O apóstolo mostra que ao agir assim a pessoa não resolve seu problema, antes nega a verdade e priva a si mesma da possibilidade de arrepender-se, confessar seus pecados e ser salvo.
O apóstolo estabelece que com a confissão e o arrependimento somos não só perdoados, mas também purificados. Isso significa que ao nos perdoar Jesus também tira toda culpa de nós, possibilitando uma total reconciliação com Ele e uma regeneração do nosso modo de viver.

Se dissermos que não pecamos, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós.
Muitas pessoas dizem ter Deus no coração e que, por isso, não tem pecados de que se arrepender. É um grande erro, pois aquele que tem Deus no coração reconhece que é pecador, pois a Palavra de Deus que é a verdade fala em seu coração. Quem não tem a Palavra de Deus no coração não pode reconhecer o seu pecado.

Tudo isso tem a ver conosco pois nos ensina que devemos reconhecer:
– A divindade e humanidade de Jesus;
– Que precisamos ter amizade com Deus e com pessoas que o sirvam de verdade;
– Que necessitamos viver de forma agradável a Deus;
– Que somos pecadores e devemos buscar reconciliação com Deus através de Jesus.

Agindo assim, encontraremos paz com Deus e viveremos muito mais felizes.