18/09/2006

Teologia Politiqueira
1 Coríntios 11:19 – Porque até mesmo importa que haja partidos entre vós, para que também os aprovados se tornem conhecidos em vosso meio. Política – segundo o Aurélio (antigo, que eu tenho) pode ser entendida como a arte de bem governar os povos, ou como habilidade no trato das relações humanas. Politicagem – segundo a mesma fonte: politica mesquinha (uma política de interesses baixos, sórdidos, com interesse individualistas de manutenção do poder).
É comum ouvirmos as pessoas dizerem "Eu odeio política", mas ,pelas descrições acima podemos entender que elas querem dizer realmente é "eu odeio politicagem". Talvez pela falta da divulgação de uma definição clara acabamos formulando um conceito generalista e preconceituoso contra várias instituições ou pessoas. Todo grupo humano precisa de alguma ordem que o governe, de preferencia democrática, e por isso a política estará sempre presente seja na sua forma positiva, ou na sua forma depreciativa e negativa: a politicagem. A igreja de Cristo não está livre disso, como podemos ver em 1 Coríntios 11.19. Um politiqueiro visa a manutenção de seu poder sobre um grupo, mesmo recorrendo a valores e procedimentos discutíveis para manter sua influencia e consequente lucro. Mas, como isso pode acontecer na igreja? Vejamos um exemplo histórico: Uma dogma católico recente (1950 d.C.) que se refere à assunção de Maria aos céus sem experimentar a morte, não encontra nenhuma base sólida nas Escrituras, mesmo assim o papa que a decretou, afirmou ser infalível tal dogma baseado em sua autoridade "ex-cathedra", ou seja, só porque ele (um homem falível, como os próprios católicos reconhecem) definiu a infalibilidade de uma idéia, baseado em uma autoridade que só ele supostamente detinha, pretendia isenta-la de erro. Só que o próprio documento redigido pelo papa, numa análise crítica, nos dá indícios de sua verdadeira fundamentação: já era um fato comum e aceito com devoção radical pelos fiéis (e isso era muito lucrativo!); logo, se o papa solicitado a dar um veredicto (por um grande número de cartas) sobre essa opinião generalizada, fosse contraditório, geraria um grave problema político e econômico. Parece que preferiram a solução mais fácil, a politiqueira, pois os argumentos da conjuntura política da decisão eram mais fortes do que os teológicos (muito primários e sem fundamentação bíblica coerente, diga-se a verdade) e estabeleceram como "verdade incontestável" algo que a Bíblia Sagrada não fundamenta (pode conferir de capa a capa). Mas o que isso tem haver com os evangélicos? Estamos também aderindo a práticas politiqueiras para manter a estrutura e a relação de poder em nossas igrejas. Quantas igrejas, ditas evangélicas, tem assimilado práticas mais "comerciais" para manter ou atrair mais membros? Alguns até descaradamente (me esforço para que não seja o meu caso, mesmo não podendo ser infalível em nenhum momento) combatem outros que usam os mesmos métodos mercantilistas da fé. Algumas igrejas estão fazendo de tudo para aumentarem sua influencia econômica e política sobre a sociedade e esvaziando a mensagem de Salvação em Cristo Jesus. São "correntes" (que como o próprio nome diz, servem para prender os membros) dos mais diversos tipos, doutrinas disso e daquilo que tornam o fiel dependente de seu pastor para uma "quebra de maldição", "unção especial" ou exorcismos diversos, etc. Tudo apelando para os desejos comuns a todo homem como manda uma boa estratégia de marketing. Será que, hoje mesmo, muitas igrejas podem se dizer evangélicas? Será que elas vivem só pela fé , pela graça e pela Escritura, ou tem acrescentado acessórios convenientes ao "consumismo religioso" popular? Cabe a cada um de nós reconhecer esse perigo e evitá-lo a todo custo em nossa igreja local e em nosso próprio coração, pois cada um dará conta de si mesmo a Deus mesmo nas responsabilidades que envolvem pertencer ao corpo de Cristo.