29/08/2006

Por uma transformação consciente.
"Não removas os marcos antigos, nem entres nos campos dos órfãos, porque o seu Vingador é forte e lhes pleiteará a causa contra ti." Provérbios 23.10 e 11
Quando estudamos sempre vemos coisas novas e interessantes, algumas até que coincidem com nosso modo de pensar mas que não havíamos sistematizado em nossa mente. Terminei de estudar "Educação e Meio Ambiente" na faculdade e meditei bastante na necessidade dessa ênfase na educação brasileira, ao mesmo tempo, meditando nas Escrituras parei para analisar jargões que costumamos usar com aparência de grande propriedade. É comum falarmos da necessidade de transformação da sociedade em seus vários aspectos, talvez porque a operação do erro seja comum no corpo social em que vivemos e ninguém fica satisfeito com isso, mas ao falarmos de transformação apenas como uma jargão ou palavra bonita que impressiona a nós mesmos e às outras pessoas, esvaziamos um pouco o seu sentido pois não existem coisas apenas que precisam ser mudadas (transformadas) mas existem coisas que precisam também ser conservadas o mais próximo possível de sua integridade original, como por exemplo o meio ambiente (*) que foi objeto dos meus estudos mais recentes. A Bíblia nos mostra a necessidade de conservação das coisas boas da vida e sua valorização. O versículo citado do livro de Provérbios fala de marcações de terreno, de propriedade, que não deveriam ser mudadas para defraldar seu vizinho, especialmente os mais necessitados, e diz que o Senhor vingaria tal injustiça. Este era um costume bom, que garantia direitos e que deveria ser conservado. Na sua ânsia por mudanças a sociedade tem, às vezes, metido os pés pelas mãos. Por causa de problemas periféricos a alguma instituição ou conduta que entra em crise na sociedade, queremos transformar tudo da nossa maneira ao invés de isolar o problema e restabelecer o equilíbrio naquilo que é bom e útil para todos. Ao agirmos com um ímpeto descontrolado e impensado por mudanças acabamos gerando problemas maiores do que os originais, como diz o ditado: jogamos a água do banho fora junto com o bebê. Mudanças, transformação, são necessárias à dinâmica da vida e não deve ser desprezado seu potencial no momento em que ela se faça realmente necessária, mas, devemos tomar cuidado com o discurso que visa uma transformação inconsequente e guiada por opiniões muito particulares de indivíduos ou grupos sociais específicos. Voltando à Educação e Meio Ambiente, a história nos dá um exemplo de um fato acontecido que ilustra nosso pensamento – a sociedade da era industrial, por muito tempo, julgou que o progresso era a utilização intensa dos recursos naturais, considerados praticamente inesgotáveis, para o enriquecimento de um povo e, com base nas idéias de transformação (mal formuladas e orientadas, claro) surgidas aí destrímos nosso meio ambiente ao ponto de nos tornarmos uma ameaça a nós mesmos e à vida no planeta. Este e outros exemplos possíveis nos levam a pensar que vivemos num mundo carente de transfomações com certeza, mas que a maior transformação deve estar em nosso interior, em deixar Deus habitar em nosso ser, póis só Ele, o Criador e Transformador de tudo, pode nos dar a capacidade de transformar a vida construtiva e conscientemente.
(*)Apesar do desejo de retornar a integridade original do meio ambiente ser impossível na situação atual, ainda assim é necessário manter sua integridade.